Elisa di Minas

Elisa di Minas

sexta-feira, julho 24, 2020

Existo?

Um tempo tão curto, um escuro tão molhado e uma mulher carregada de sentidos que de tanto sentir parecem começar a morrer...

E hoje, desvinculada de sentidos, serenando nos rios de peito meu, sigo arranhando montanhas, decepando estrelas, cutucando lua e marejando alma. Montanhas de mar açoitam estalidos em dedos e, dedos nada serenos, deslizam teclado e choram traiçoeiros, deixando à mostra um corpo envelhecido e cansado dos quilômetros percorridos nas marés. Um tempo sem medidas, sem início e sem fim. Viver parece tão triste e emaranhado nas alegrias que senti. E nas alegrias despedaço os estilhaços que se romperam nos espelhos que vivi. Matei face que mãe pariu. Matei alegrias que pai plantou. Assassinei tempo e perdi meus sonhos. Em que esquina, ou rua, ou praça, ou estação derrubei as vontades, a força, a esperança? Procuro pés que estraçalhavam estradas, firmes em caminhar. Arrancaram Lua, ou Lua se esconde ,se afasta de mim? Por que secaram as lágrimas que molhavam olhar e iluminavam face de mulher? Em que estação perdi o brilho que existiu?

Oh velhice macabra, que se apodera de carcaça e leva, indiferente, a esperança de viver o passado que treme na saudade do que deixei de ser...e meus restos?...que restos?...

Pintor

Pintor de Almas


Um menino

Carrega tempo

Em vaso quebrado.

E sustenta

Os medos

Nos meios

Dilacerados das ruas

Sem curvas

Nos cimentos

Dos homens alheios.


Um menino segue

Parindo vagões

Criando estações

E resistindo ao chamado

Da vida.


Um menino...


Elisa di Minas

Em pedaços


Um menino

Discursa vida

Desmedida

E agarra as almas

Descabidas

Nos gritos silenciosos

Da navalha fria

Que corta

O tempo,

O vento,

A vida.


Elisa di Minas

Retrospectiva fora de hora

Retrospectiva Elisa

Nasci
Rastejei
Cresci
Multipliquei
Sobrevivi
Ainda...

Elisa di Minas

quarta-feira, julho 22, 2020

Só isso


Deixe o balanço 
Pra que eu possa ir
E vir
Sempre que o tempo
Permitir
E eu desejar
Ir e vir
Ir e vir 

Elisa di Minas

sábado, julho 18, 2020

Arremedo infeliz

"Arremedo infeliz de existência" 

 Deve ter nascido num dia de noite 
 E, no decorrer das luas, pintado de luto o seu céu
 Não deve ter chorado amores frustrados 
 E sim vomitado as faces sem véu. 
 Pobre garoto 
Jogado na vida 
 Perdido desejo de ser
 Achado desejo de renascer 
 Feliz ! 
 Faltou-lhe madrinhas encantadas,
 Rocas e fadas 
 Mas não poesias 
 Poesias não, poesias sobraram nas folhas em branco 
De um pranto que não morreu. 
Vá garoto
Dizer adeus e chorar e gritar 
 E esperar 
 Esperar que as voltas do tempo 
 Lhe tragam alento 
 De uma vida de paz.
 Vá, vá garoto 
Embarque nas brumas do vento 
 Abrace a si mesmo sem tempo 
 Arremate, costure a dor do momento
 Com outras que encontrarás 
 E chorarás, chorarás, chorarás. 
 Viver é um pranto infinito... 

 Elisa di Minas
Isolamento - Coronavírus "Viver sem tempos mortos", é porreta demais isso! O isolamento está provocando estranhezas na alma da gente. A maior estranheza que estou vivendo é a de mim mesma por não me reconhecer mais no que sou. Não sei mais se o passado me define porque ando sendo o que não sou, vivendo o que nunca fui, sentindo que o tempo atual está morto, mas não um morto comum e sim um defunto vibrante por viver. Ando confusa porque o que fui, o que o tempo fez de mim não vive mais, tive que matar o futuro que projetei e busquei, pra viver um presente sem chão andante, parado e estagnado no vazio da vontade de ser o que seria.

quinta-feira, novembro 29, 2018


Pensei ter perdido, mas recuperei.

Perdidaça


Modernidade arrancou dedos meus Nem encontro mais Os caminhos Que sempre segui.

quarta-feira, outubro 18, 2017


Nada e nada! Queria sentir, novamente, incontrolável desejo de escrever! Mas continuo calada...

segunda-feira, junho 12, 2017


Somente vontade matar com a imortalidade!

sexta-feira, março 27, 2015

Hoje somente

Somente mente, nada mais! Nada de significados ou significâncias. Nada de choros e lamentos. Só vontade mórbida e demente... de mente!

segunda-feira, dezembro 02, 2013

sobras


Existe sobras em mim, de tempo, de sonhos, de desilusões. Busquei as lembranças emaranhadas no nascer quebrado, moído e rabiscado... Encontrei cacos de poesias e de poeta, cheiros de infância e de velhice, nascer de homem e morte de amor, encanto de criança e quebra de desejo. Hoje me encontro cheia de sobras, de restos,de remendos. Me encontro em tudo, menos em mim!

quinta-feira, outubro 17, 2013

Merda!

Parece-me nunca ter tido necessidade de tomar uma decisão tão difícil! Anoiteci um dia impactada num traumatizante descobrir. Uma traição deformada e fantasmagórica me deixou puta! E puta continuei silenciosa, aquietada, parada, inerte. As estrelas, a lua, fantasmas e gritos começaram a me acompanhar nas horas angustiadas. Decidi acalmar...e acalmei tanto que sonhei assassinar, e, confesso, não me pareceu atitude aprovante nem para meu coração tão puteado. Então, fazer o que diante de infame descoberta? Meu sangue fervia, queimava, matava, envenenava e apertava uma garganta prestes a explodir. Puta que pariu! Caminhei lentamente até a cozinha, um cão uivava longe e dava sensação de filme de terror. Abri calmamente as portas do armário, toquei suavemente os pratos e copos parados na divisória do mundo e ataquei. Mas ataquei de um jeito que não deixava dúvidas nem aos defuntos que me avizinhavam. Fui, com esse meu jeitinho delicado e feminino, arrebentando tudo. Porra, que raio de merda é esse viver? Que se passa na "desombridade"? Que leva alguém a uma traição tão fedorenta e baixa? Os cacos foram se espalhando pelo chão, pelas paredes, pelo teto, pulavam, se batiam, se matavam. Nenhum foi poupado,todos foram destruídos e matados. O barulho despertou antecipadamente alguém que dormia sob mesmo teto, cambaleante, olhos estatelados, medrosos e silenciosos apontaram na porta, mas não durou sequer um segundo...desapareceram, sumiram, evaporaram. E no amanhecer do outro dia fui trabalhar cansada pela noite de faxina, recolhendo os cacos que a vida me reservara. Deixei de ser mulher, deixei de ser humana, deixei meu eu trancado no baú dos sentimentos que a vida se negava a me oferecer... E decidi virar vazia, vazia de amor!!!

quarta-feira, julho 10, 2013

Mulher nova


Não sou mulher nova, sou nova mulher! Hoje escorreguei do meu surrado sofá com único objetivo: Me fazer careca. Não suportava mais meus cabelos secos, quebrados, tortos, multicoloridos, estragados pelos 25 anos de tintura na tentativa de "esconder os fios brancos". Detesto ficar "chapada" como muitas mulheres por aí. Detesto ter que ficar pintando os cabelos com produtos que mancham e estragam minhas camisetas, toalhas e azulejos. Definitivamente não nasci mulher feminina, jeitosa, delicada...pra ser homem nasci somente com a falta do pinto. Minha força manual quebra canos e amassa peças delicadas, meus pés sobrevivem em meio a barros e pedras, minhas unhas precisam de alicates reforçados, minhas palavras soam balanceadas e desafinadas, meus traços são grosseiros e indefinidos. Não possuo nada de feminino. Então por que nasci mulher? Acho que nasci mulher por um fato muito simples:Gosto de homem! Então se tivesse nascido homem eu seria gay, sem dúvida alguma!!! Hoje - que já é ontem - acordei desnorteada pra me livrar de tudo que a sociedade impõe e comecei pelo meu cabelo. Fiquei matutando o porque dessa idiota mulher ficar se martirizando horas e horas para pintar os cabelos, sabendo que o fato fará surgir erupções no couro cabeludo que gerará mais coceira que piolho. E fiquei puta comigo mesma. Me senti idiota! Abandonei meu forte desejo de não sair de casa e sorri quando cabeleireiro me olhou com olhar silencioso de dúvida: PASSE A MÁQUINA NA MINHA CABEÇA! Minha voz firme não deixou questionamento. Ele pegou a máquina e PASSOU-A NA MINHA CABEÇA. Fui recolhendo com as mãos as mechas que caiam: brancas, castanhas, vermelhas, loiras, cinzas...olhava-as e jogava ao chão. LIBERDADE!!! Que sensação ma-ra-vi-lho-sa! Não acompanhei o "massacre". Somente olhei depois que tudo terminou. Sorri. Passei as mãos no meu "coco" vazio, me levantei, paguei os R$10,00 e só não cantei porque sou desafinada. Quando cheguei em casa encostei o nariz no espelho e percebi o quanto o tempo havia pintado meus cabelos. Percebi o quanto a vida havia arrancado de minha juventude. Percebi o quanto de história já havia vivido. Percebi o quanto me sentia bem sendo eu mesma, arrancando as máscaras que a sociedade, até aquele momento, havia me imposto! Confesso que senti uma pequenina ponta de revolta por ter demorado tanto em minha decisão.Na mediocridade humana, eu me tornei medíocre. Na tentativa de sobrevivência, eu me tornei máscara. Na tentativa de aceitação, eu fui o que não sou. Agora, no inicio das horas de meu novo nascimento, necessito somente de um chão de terra, de um fogão à lenha, de estrelas, montanhas e luas, de água e das pessoas que amo...pra seguir de volta pro mundo de onde nunca devia ter saído!!!!!!!!

sexta-feira, julho 05, 2013

Desistência?

Talvez seja a aproximação da velhice que causa tanto desconforto. Talvez seja o cansaço do tempo, o aproximar das férias, a apuração de uma dura realidade...talvez seja a dúvida, talvez seja a certeza! "Talvezes" que me incomodaram durante as 13:02h desde meu acordar nessa sexta-feira. Um arrepio desconfortante acompanhou minhas horas e ainda não consegui me livrar dele. Fiquei matutando com meu cérebro enquanto degustava uma empada, que seria meu almoço de hoje.As horas brincavam com minha agonia e engatinhavam. QUE HORRIVEL SENSAÇÃO DE INÉRCIA !!!! Percebia claramente os olhares sobre minha face e minha pele, sobre meu vestir simplório e acaipirado, sobre meu sorriso disforme e meus cabelos brancos. A agressividade apagada nos últimos 50 anos aflorou, um mal estar horrendo acelerou coração, dando fria sensação que morte me espreitava.Desci, tomei água, distribui sorrisos numa inquietante necessidade de respeito e afeto!E voltei pra sala que guardava corpos de falsidade e aparências...que guardava sorrisos maquiavélicos, que guardava olhares frios...e desumanos! Consegui controlar desejo de arrebentar muitos, de estraçalhar roupas e desnudar falsidade. Controlei, assim como agora controlo desejo de citar nomes e fatos... Entrei em transporte público, fechei olhar, serrei os pulsos e continuei fingindo dia que não existiu!!!

domingo, junho 16, 2013

invisibilidade

queria ser invisível, nada ser. morrer numa manhã de nascimento e viver na morte do dia. não consigo aquietar meu pensamento que vara noites e noites marcando olhar meu. nasci furiosa e desbravadora, mas mundo acalmou minhas caminhadas e me fez emudecer. não suporto arrogâncias e ditadorismo, não suporto os suportes que impõem pensamentos e atitudes. não sei como me livrar de mim. talvez não me suporte pela vivência calada e submissa na qual fui adulterada. me transformei no eu que não sou. sou o eu que não nasci. na verdade sinto somente vontade me afastar do que me transformei e sair pro nada!

sábado, junho 08, 2013

~iNsÔnIa~

dizem que insônia prejudica a saúde,dá rugas e cabelos brancos,envelhece,mancha a pele,aumenta estresse. e daí?que se fodam as rugas,pele,velhice,cabelos, estresse.afinal já sou velha mesmo, já sou feia mesmo já possuo pele de jacaré,já sou um monstro com prazo de validade vencido,já estou com calo no indicador já estou com vontade mandar tudo a puta que pariu,já estou... estou nada só estou solitária numa noite fria,cansada de nadas,sentindo falta de um vinho, um queijo e uma boa prosa... onde estão todos daqui de casa?

URUBUS

Por que essa foto? Porque conheci essa semana pessoas que vivem esperando a morte da bezerra pra darem o bote e comerem a carniça. E eu de pé manco e boca amarrada só olhando. Possuo a imbecilidade da crença no humano, mesmo esses malditos tendo me dado rasteiras e mais rasteiras pela vida. Nunca aprendo! Aí quando o fato acontece novamente sinto uma vontade desgraçada de ser depravada e falar os maiores palavrões que alguém ja foi capaz de criar. Mas nada disso falo. Me calo. Vomito. Junto ao vômito percebo dedos e mentes, crânios e línguas, pedaços podres de podres vidas. E me odeio por ser tão, tão, tão idiota! Saio excomungando dentro do peito e, abafando os gritos, eu olho minhas montanhas, minhas estrelas,meu céu...e me acalmo! E engulo todas as palavras, frases e textos que meu coração criou. E deixo que o tempo, no seu passar lento e inquieto, apague minha fúria. E me pego, me pego no colo de mãe e pai, colos que não mais possuo,e me aconchego na desilusão do viver. Torno-me cega e surda para sobreviver. E sorrio o sorriso feio e envelhecido que trago no peito. E durmo. Durmo porque amanhã nascerei mulher bruta e gritarei aos "quatro cantos do mundo', quatro não, quatro é muito pouco...gritarei nas infinitas curvas do universo o escárnio que sinto pelas pessoas, pelos urubus sangrentos e fétidos. Malditos! Malditos e malditos! Mas quando lua se despede, acordo e percebo que no ventre de minha mãe devo ter bebido líquido contaminado com veneno da quietude, porque me aquieto, engulo, sorrio...e permaneço nas permanescências da minha vida mulher, quieta, calada, engolidora de palavrões e de pragas...hoje decidi erguer meu pulso esquerdo (porque nele estão gravados os infinitos amores de minha vida) e mandar o mundo se fuder!!!!!!!!

domingo, junho 03, 2012

Fantasmas

Hoje minha noite está fantasmagórica. Sem saber se é influência da lua, eu tô aqui no meu quintal, utilizando somente a luz natural do mundo, com olhar voltado para cemitério, talvez buscando entender os fantasmas que me assombram. Fantasmas da discórdia, da ignorância, da dúvida, do desequilibrio, da traição. Fantasmas deformados e indecifráveis, apagados, embaçados. Não sei a quem pertence cada imagem que dança frente meu olhar e desequilibra minha alma. Chicória late no portão...uiva...um calafrio percorre meu corpo e gela minha alma.Olho as estrelas numa tênue tentativa de reequilibrar, mas nâo consigo. Amanhã o dia será mais dificil que essa noite, não sinto sono nem desejo de entrar...a vida me oferece mais fantasmas que os que encontro na solidão desse momento...sinto um desejo infantil de sair andando, sem rumo e sem meta, sem fim...respiro fundo e percebo que meu coração não mais acredita nos sonhos que carregava...

segunda-feira, maio 28, 2012

"" Alguém me falou que eu tenho que ser MAIS PROFISSIONAL e MENOS EMOCIONAL...e eu voltei pra casa pensando muito sobre isso. Nesse pensar acabei analisando meus últimos conturbados anos de trabalho e busquei imaginar como seriam sem a emoção...e foi aí que percebi que deveria ter mandado o alguém ir catar coquinho no asfalto, ou ver se eu estava na esquina, ou ir a puta que pariu, porque meu trabalho não existe sem emoção, porque ele não existe sem amor. Eu olho nos olhos de cada aluno, eu os abraço nas dores que a vida lhes oferece, eu sorrio e comemoro as vitórias, eu engulo as lágrimas na tentativa de amenizar as derrotas que eles vivem...e ele me fala pra ser menos emocional? E pensei mais ainda, pensei na interessante maneira de olhar desse alguém que um dia elogiou e positivou MEU EMOCIONAL agarrado no PROFISSIONAL, porque naquela situação lhe convinha, porque naquela situação lhe era favorável...e sorri com essa minha boca torta, de dentes vazia...e sorri na percepção de que meu herói não passa de um homem comum, assim como tantos outros, assim normal, assim sem nada a acrescentar, só um ideologismo comprado numa loja de 1,99, um ideologismo que se quebrou frente a minha babaca e irritante mania de acreditar em sonhos e seres sonhadores...e eu caminho tropeçando, escorregando, caindo, levantando...tudo por culpa dessa emoção que faço questão de carregar. Escrito por Elisa di Minas numa triste noite em que perdeu seu herói."

quinta-feira, maio 24, 2012

Uma fria e desleixada tarde, de sol e frio, de vinho e solidão. As montanhas me olham e desprezam semblante que busca se acostumar com o nada. Nada faço, nada penso, nada sinto. Um estouro de vida eclode e meus pensamentos e sentimentos despertam, me lembram existir de Gildes Bezerra e sua decepção com as mentiras do Saci. Me lembram Drummond e suas pedras no caminho. Me lembram Giovanni Guimarães e suas Folias de Reis. Me lembram Tarsila e suas cores, Adelia Prado e seu coração disparado,Diva Cunha e seu coração de lata. Me lembram meu existir vago, insignificante. Me lembram que estômago vazio pede virado de ovo com cebola, saboreado com café fresco e leite tirado da teta.Montanha se foi, mergulho face num prato vazio.

sábado, novembro 26, 2011

Arrebentando

Arrebentando o fio tênue da linha que trago
percebo que sou humana
que os limites existem
e que , mesmo forte, um dia
a linha se arrebenta
apodrece, padece, desfalece, amortece.

Hoje arrebentou a força que carrego
e me deixei seduzir pelo momento
um arrebento cansativo eclodiu
coração gritou desejo de parar
e sentiu.

Agora respiro restos do que sobrou
de preguiça e sonolência
de tonturas e apagões
de desejo único
de não existência.

Devo parar
não desejo partir!
(feito ao som da melodia do silêncio num momento (des)humano de dor)

quinta-feira, novembro 17, 2011

Aconteceu

Era 12 o dia...era realidade, mudança, realização, felicidade e comemoração.
Era wagner o nome, assim como elisa, carmem, eliane, maria, catarina, carlos, antonio, jesus, marta, pedro, sebastião, francisco, geraldo ,infinito.Tempo de transformação!
Fiquei a noite toda com medo de dormir e acordar outra realidade.
Uma agonia impregnada, baixa ,sufocante e aguda rasgava minha pele e pedia basta!
Muitos viveram meu sofrimento, minha agonia, trilharam em vagões de ferro e fogo (até cheguei a reviver o chumbo), mas o desejo de mudança era a minha, era a nossa força.Uma força que nem sabia de onde vinha, mas vinha, chegava , impregnava e amortecia sofrimento.E seguia...cheguei a pensar que caminhava sobre pedras pontudas, mas que nada! Era caco de vidro em sola de pés, de muitos pés. E nos faziam mancar com o peso da carga egoista e desumana.
Por muitas noites deixei de dormir, assim como você. Delirios assombravam a escuridão. Descabelada eu gemia. E não eram gemidos de gozo não, eram gemidos de uma dor profunda que feria e arrebentava coração.Um espirito de união surgiu quando não mais aguentávamos. Não era necessário voz, bastavam os olhares de desespero. Eu sabia perfeitamente o que sentiam, porque era também sentimento meu. Era uma dor tão calada e sofrida que me lembrava partida de meu pai e minha mãe , de minha irmã e de minha filha. E quando o sol irradiava bom dia eu pensava nas crianças que me aguardavam, pensava nos funcionários , na minha responsabilidade... e seguia rumo a Pedra da Cruz que sempre me recebia com um sorriso (pra me dar mais alegria).
Tudo poderia ter sido tão diferente!
Possuo uma alma cabocla, trago nas mãos, no rosto, no cabelo, na feiura das formas e da pele uma simplicidade conquistada na caminhada ao lado de meu pai,que me ensinou que o respeito humano, que a verdade , que a honestidade ,que a afetividade e o amor são os unicos caminhos certeiros quando buscamos a felicidade nossa e do outro. Minha figura um bocado envelhecida e disforme ja não mais aguentava. Por dentro eu rangia e sangrava. Por fora eu observava, controlava meu impeto irrequieto e justiceiro e engolia sapos, carrapatos, cobras... e vomitava silêncio. Minha voz tinha que ser cortada e calada, não podia mais ser a causa do sofrimento do outro. Vocês não imaginam o quanto recorri a alma de meu pai, para que me iluminasse com a mansidão que carregou pela vida.Mas eu dava meu jeitinho mineiro e excomungava a peste que me assolava, e expelia (silenciosamente) o mal que tentava corroer. Um dia até cheguei a gritar, no silencio mais dolorido que eu tinha "Fora Satanás,vai-te reto coisa ruim, me mira mas me erra!". E suspirava profundamente antes que o ar me faltasse.
Não foi facil, envelheci as dores que não precisavam ter existido.
Mas renasci, assim como você ...renascemos...
Juntos, fortes...e estamos aqui.
Sem sacanagem, me dou direito total ao grito que estava engasgado:
ACONTECEUUUUUUU,Graças a Deus!
AGORA ESTAMOS VIVOS!

sábado, julho 16, 2011

Pisando em...

Nunca fui mulher de me preocupar com coisas chics. Nem sei bem o que é ser chic porque nasci cabocla de pai e mãe. Sempre arrastando chinelos velhos , cabeça ao vento , olhar embaçado e pescoço de girafa , fui vivendo. Vivendo a simplicidade de quem nasceu fora de época , em outro mundo. Ja quase centenária não me lembro de ter perdido um segundo sequer da vida me preocupando com o que urde sob meus pés. Amassaram barro , merdas , tropeçaram em pedras , se molharam , enrugueceram , doeram , calejaram.
Não sei se por desproteção divina , ou por ironia , ou por desumanidade , ou por sacanagem , sei lá eu, piso hoje no que serei amanhã. Você ja se imaginou pisando no futuro? Não?! Pois eu piso. Todos os dias , todos os dias eu piso no futuro. Sou privilegiada. Tenho sob meus pés o que nenhum de vocês tem: O FUTURO. Fique aí por uns minutos pensando como consigo isso. Pense , repense , medite ,aprofunde, busque ajuda , pesquise. Será que você consegue , como eu , pisar no futuro? Sei lá! Acredito que não!
Pois eu piso , e como piso!
Tente acompanhar comigo , aqui juntinho de mim. Espalharam frente à minha casa , assim de graça (não paguei nadinha por isso), um tapete riquissimo. Vale mais
que diamante , que ouro , que tudo que existe no mundo. Espalharam frente à minha casa um tapete, um tapete tecido de histórias , de alegrias , de sofrimento, de vitórias , de lutas , de tudo! Um tapete tricotado com mil vidas. MIL VIDAS! Um tapete que me lembra todos os dias o valor da vida. Um tapete de restos humanos , de ossos , de alças de caixões , de tecidos impregnados aos restos mortais. Um tapete de velas e flores ,de túmulos. Um tapete de cheiro fétido e asqueiroso. Um tapete que me provoca ânsias de vômitos e dores de cabeça. Piso nesse tapete todos os dias , não sei se sob meus pés existe restos de seu pai , sua mãe, seus irmãos , seus avós , seus tios , seus , suas...não sei!
Esse tapete está me levando à loucura! E foi depositado assim , jogado, amassado , como coisa sem valor , como entulho...na rua de frente da minha casa. Jogado , largado, abandonado , desrespeitado!Literalmente , piso no meu futuro! Literalmente eu piso!

sexta-feira, junho 24, 2011

volta

Estou aqui , de volta.
Só não sei de onde!
Nunca sei se estou indo ou voltando, ou se estou parada.
Pareço nunca sair do lugar...cansada
de burrices,
traições,
incompetências,
injustiças,
egoismos,
estagnações!
Cansada demais pra lutar
contra uma vaca velha
que muge no meu mundo
todos os dias
todossssssssssssss

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Sim, claro que não!

Estava eu sentada calmamente em frente à Igreja de São Sebastião aguardando a chegada dos cavaleiros. Numa demora tranquila, observava a beleza e calmaria das montanhas. Três crianças brincavam e azoretavam meu sossego. Em meio a tanta gritaria me esqueci das montanhas e passei a observá-las.
Dois eram, com certeza, irmãos. O terceiro parecia ser amigo dos demais. Correm de cá, de lá, gritam, reclamam, brigam, brincam. Tiveram idéia de ir no tiro ao alvo e vieram, empolgados, pedir dinheiro à mãe (somente nessa hora percebi a presença dessa figura). E inicia diálogo:
__Mãe, da R$2,00 pra jogar tiro ao alvo?
__Toma! (nem pestaneja, retira e entrega)
Eles correm. Passados menos que 10 minutos, eles voltam, nervosos:
__Mãe, fizemos 27 pontos. E pra ganhar precisa fazer 50 pontos. Dá mais R$2,00 aí.
__Nada disso, disse ela retirando a nota da bolsa e estendendo ao que parecia ser o mais velho. Nem pensar! Não me peça mais dinheiro! E entregou a nota.
Achei aquilo confuso, confesso que sorri cinicamente e continuei na minha silenciosa observação.
Voltaram correndo, nervosos e empolgados.
__Mãe, dessa vez fizemos 41 pontos, o Pedro conseguiu derrubar um de 10 pontos. Dá mais R$2,00?
__Eu já não disse que não era nem pra pedir mais? Nem pensar, isso é um roubo, estão fazendo vocês de bobos, vocês nunca conseguirão os 50 pontos e ficam jogando dinheiro fora.
__R$2,00 mãe, só R$2,00, disse o menor, estendendo a mão.
__Eu já disse que não, e se pedirem de novo levo vocês pra casa e acabou a festa, respondeu ela, retirando da bolsa a nota pedida e entregando às crianças.
Voltaram empolgadas para a barraca de tiros.
Muito confusa, eu pensava nas cenas e queimava miolos.
Eis que chega o pai e se aproxima,quase junto das crianças.
__Pai, quase ganhamos um DVD. Pra ganhar o DVD que ta lá , tem que fazer 50 pontos, quase fizemos.
__Vocês estão brincando do quê?
__Tiro ao alvo, responderam em coro.
__Arma? Vocês estão brincando com armas? Já não proibi de brincar com armas? Já não conversei em casa antes da gente vir pra cá? Não foi combinado?
__Mas pai, o DVD é bonitão, deve valer uns R$200,00 porque tem até microfone e caraokê , quase ganhamos.
__Vamos lá e vou mostrar pra vocês quem é bom de tiro. Vou trazer o DVD.
Saíram. Eu? Boquiaberta!
Voltam os quatro, sem DVD. O pai com cara de bravo fala pra esposa:
__Palhaçada, nunca alguém ganhará o prêmio. Roubada, dinheiro jogado fora!
A mãe olha e continua conversando com uma senhora ao lado.
As crianças buscam outro brinquedo. Retiram do bolso uma hélice com balão que ao ser enchido de ar e solto, faz a hélice girar, soltando sons agudos. Pai e filhos iniciam brincadeira com o objeto. O brinquedo do filho mais velho vai mais alto que o do pai e o menino brinca:
__Não sabe soltar, o meu vai mais altoooooo.
O pai se irrita:
__A hélice do que você me deu está torta, muito torta!
O menino mais velho verifica e diz que está perfeita. O pai retruca:
__Está torta e tenho certeza que você que entortou, tenho certeza disso!
O menino não toma conhecimento e continua na brincadeira.
O pai sopra demais o balão, que acaba estourando. O menino menor chora fazendo cena. O pai se dirige ao maior:
__Dá o seu pro seu irmão.
__Mas pai...
__Agora! Dá pro seu irmão, to mandando!
__Mas pai não fui eu que...
__Já mandei dar agora, foi você o culpado do outro ter estragado, você que entortou a hélice, foi sua culpa, você fez de propósito! DÁ PRO SEU IRMÃO!
Choro e lamentações. O pai fica indiferente e se aproxima da esposa e da senhora idosa. Conversam banalidades por um tempo, até que a senhora idosa vê aproximar o esposo e o chama.
Enquanto as crianças correm e atormentam a todos com esbarrões, gritos, empurrões , jogam papel de bala pelo chão , os adultos iniciam uma conversa empolgados, apontando várias direções:
__A casa ficava naquele morro, disse a mãe das crianças. Era horrível, meu bem. A gente tinha que levantar cedo, ir ajudar a tirar o leite, depois tinha o terreiro de café onde a gente tinha que ficar empurrando os grãos. E pegar lenha, então? Que horror! Minha perna voltava toda arranhada, picada. Era horrível demais!
__E o barro então, disse a senhora idosa, sujava o chão da cozinha que era de cimento liso, onde eu passava vermelhão pra dar aparência melhor.Ficava todo sujo e fedido.
__Era um terror! As laranjas caídas pelo chão, roupas com nódoas de banana e jabuticaba, roupas rasgadas de subir nas árvores , que a mamãe vivia remendando. Foi um tempo terrível, disse a mãe das crianças.
__Nem gosto de lembrar, respondeu a senhora idosa. Aquele povo que chegava fedendo suor vindo no sol quente montado em cavalos e ainda paravam na porta da sala pra pedir água. Alguns até pisavam na sala com o pé sujo!
__Não foi nada fácil, né papai? Pergunta a mãe das crianças.
__Graças a Deus tudo isso acabou, nem gosto de lembrar quando chegava o tempo da panha de café. Era um trabalhão danado ficar no meio do mato carregando sacos, levando café pra todo mundo, tinha que ficar ouvindo as lamurias do povo!
Deram boas gargalhadas , até que os meninos retornaram:
__Pai, mãe, dá R$7,00 pra gente pular na cama elástica? O homem falou que de três fica mais barato.
__EU JÁ DISSE QUE NÃO! Já não falei que não era para pedir mais dinheiro que eu NÃO ia dar, disse ela, retirando uma nota de R$10,00 e entregando-a ao mais velho.
__E traga o troco, disse o pai.
Conversa vai, conversa vem. Sempre relembrando os tempos horríveis, até que os três meninos voltam gritando:
__Dá mais R$1,00 mãe, a gente já deixou os R$10,00 e aí o homem falou que se a gente levar mais R$1,00 agora ele vai deixar por R$4,00.
O pai, histérico:
__Sua mãe já não falou pra vocês que não ia dar mais dinheiro? Não disse que era para trazer o troco? Não foi isso que ela mandou? NADA DE DINHEIRO! NADA DE PEDIR MAIS! CHEGAAAA!, disse ele, retirando do bolso uma nota de R$5,00.
Entregou-a ao menino mais velho, com uma clara recomendação:
__E traga o troco, nada de gastar mais, nem adianta pedir que não daremos mais!
Os meninos saíram correndo.
Eu me afastei confusa, começando a entender essa nova geração.
Sim, claro que não!

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Realidades.

Aqui me pego, aos 53 anos, sentindo uma saudade enorme da crença e fé que eu sentia no trabalho que venho desenvolvendo por 25 anos. Um trabalho escolhido não como falta de opção, mas escolhido como única opção para eu ser feliz profissionalmente. Acredito que em decorrência da minha lerdeza natural eu tenha levado tanto tempo para perceber que vivi utopias. Fui utópica quando acreditei na valorização do educador, quando acreditei que o futuro seria melhor, quando acreditei que calma era necessário para dar tempo às mudanças. Fui infantil e sonhadora quando acreditei que os políticos acreditavam que a educação era um dos caminhos do crescimento humano e, por isso, investiriam nela ; quando acreditei na mudança política de nosso município , que veria município como um todo, sem divisão entre rede estadual/municipal , afinal sou brazopolense e fui importante para eles na hora do voto ; quando acreditei que o ser humano teria mais hombridade ; quando acreditei que todo profissional envolvido com a educação era uma pessoa humana em toda sua essência...
Fui inocente e sonhadora quando acreditei que “pior do que está não tem jeito”. Mas tem, e como!

sábado, janeiro 01, 2011

ANO NOVO

Quando criança ficava aguardando entrada de ano novo
sempre na esperança e crença que algo ia mudar.
Na adolescencia aguardava ansiosa o ano novo
pra ir passear no "largo" da praça.
Quando adulta aguardava ano novo com certeza que minhas
promessas seriam cumpridas.
Na velhice aguardo ano novo com a certeza absoluta
que tudo continua igual.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

?

Descobri que sou o que não sou, não sou o que sou, não sou eu.

sexta-feira, novembro 26, 2010

10:50h

Dez e cinquenta da manhã e eu revoltada com a humanidade.
Isso é hora de se revoltar?
Acredito ter perdido minha lucidez!
Descobri , demorou em decorrência de minha lerdeza ,
que o ser humano perdeu a noção de respeito.
Perdeu a noção de ética , perdeu a noção de tudo.
Humilhações, dores, sofrimentos , angústias,decepções,
não possuem mais valor algum (se é o outro que os sente).
Tudo se transformou numa estupenda necessidade do eu.
Eu quero , eu devo, eu vou, eu fico , eu sou...
o outro que se foda!
Quase ninguém mais consegue ver além de seu umbigo.
Se algum fato ocorre e se esse fato gera polêmica,
lá vão os "amigos" retirando a corda do próprio pescoço
e , pra retirar de si mesmo , vão , friamente, enforcando o outro.
Parece existir uma frieza inigualavel dentro da alma.
Uma frieza que corrói, mata , aniquila.
Muitos nem percebem que ao justificar se apresentando como "amigo"
está condenando o suposto (amigo) à uma dor infinita.
Pensam eles:Não , mas tudo bem , tudo em nome do meu nome ...
se alguém tem que ser assassinado que seja ele , desde que eu me saia bem na situação , desde que ninguém pense que estou de acordo com o que ocorreu (PORQUE ELE TEM QUE CONCORDAR/DISCORDAR JUNTO À MAIORIA, ELE TEM QUE FAZER PARTE DO QUE MAIS VAI APARECER, INDEPENDENTE SE É CERTO OU ERRADO-O certo pra ele será sempre seu próprio bem estar).
Não sabem , esses coitados , que ao justificarem alegando carinho e respeito pelo "amigo", estão provando a insensatez , o egoismo , a covardia , a indiferença , a aberração que existem dentro de si mesmos.

Para eles eu ergo o FODAM-SE!

Eu só quero sossegar meu coração
Eu só quero mais respeito
Mais amor
Mais carinho

Mas eu só quero
Menos ingratidão
Menos frieza
Menos sacanagem...

Socoroooooooooooooooooo!

quarta-feira, novembro 24, 2010

vinho

Uma taça de vinho foi suficiente pra eu ficar embriagada. Tô de férias, uai, algo novo tenho que fazer. Então fui beber, mas como não estou acostumada com essa delicia, uma taça é suficiente. Já começo a falar demais. Eita vinho bão da peste siô! Putz, nem tenho ideia pra escrever, e, acima de tudo, esse disgramado word fica riscando as palavras de vermelho e eu tenho que ficar retornando quando deveria seguir. Enchi outra taça, rsrs , nossa, o efeito é interessante. Fico mais lerda do que ja sou. Dá uma tontera porreta!
Tenho que apertar zoinho e ainda encostar nariz na tela , puta que pariu, vejo tudo embaçado (mas não é do vinho, é da miopia mesmo).
Sempre desejei escrever algo lindo, maravilhoso, que todos lessem e ficassem mudos, tendo como única reação: OHHHHHHH!
Mas esse mardito cérebro é vazio demais, parece poço desativado, não tem nada dentro.
Ara, se meu cérebro é vazio, se sou lerda, se sou miope,se sou burra, então pra que ficar aqui criando tendinite?
Vô é assistir CSI e pronto!

sábado, novembro 20, 2010

Queria viver ausência das presenças
Nenhum caminho pisado
com passos que já marquei
Nenhuma fala repetida
Com vozes que já gritei
Nenhum elo refeito
dos nós que já cortei
Sem elos, sem vozes, sem nós
sem vida
nas mortes que já lutei.

Perca campo mulher
Perca o tudo!

Que me arreganhem maldita boca
E que hoje eu grite
Os silêncios que vomitei!

Cala-te boca!
Engula os vômitos
que putreficam
que matam
que amordaçam
que fedem
as narinas
das
curvas
nas quais passei...

terça-feira, setembro 14, 2010

Velharia

Meio centenário passou e eu continuo babaca.
Pele descola de abraço e ja nem sinto tato que ficou.
Olhar cola cilios na efêmera esperança de sonhar.
Aonde estão as esperanças que passaram por minhas ruas?
Aonde estão os desejos de meus desejos?
Aonde me encontrar?

Minhas idades se misturam e me confundem
Amaldiçoadas!

Por que me abandonaram?
Por que se distanciam do que sou?
Por que viver hiberna
e não mais posso espiar por minha janela?
Por que me privaram do tudo?

Cinquentenária mulher
Centenária alma
Imbecil e demente
Escroto de gente
Jogado ao céu...

A quem me pertenço?
Não sou nem eu!

quinta-feira, setembro 09, 2010

Necessito gritar... plastificada mente!

Arrancaram-me a garganta,
mas necessito gritar!!!
Quero expor sexo descarado
e arrebentar amarras de olhos
dementes e superficiais.
Necessito mostrar gozo
que fere e machuca pele,
entediada de igualdades
e grandes escalas.
Quero o diferente, o imortal,
o feio, deformado e escroto aos olhares.
Chega de superficialidades,
de promessas, de descaramentos, de falsidades.
Basta!!!
Chega de tato e durabilidade.
Necessito de toques e sensibilidades,
de lambidas ferinas em feridas expostas,
pra machucar.
Excomungo aquele que diz verdades
e estende dedo ereto.
Excomungo aquele q segue míope
sem desviar caminhos.
Odeio homens estagnados
pintados de máscaras meigas e irreais.
Odeio o ódio escondido
em amores superficiais.
Arrancaram-me a garganta,
mas necessito gritar!

Elisa di Minas

domingo, fevereiro 21, 2010

Augusto Cury

Ontem descobri que meus pensamentos loucos não são só meus, Augusto Cury os vive também...imaginem eu , sem saber, tendo quase que os mesmos pensamentos de cury. Nossa! Mas sou metida a besta mesmo! Me comparando com cury, rsrs, nunca serei nem elisa, nem poeta, muito menos cury. Rio de mim, nunca aprendo que o que está em mim não está fora de mim. O que está em mim existe na inexistencia porque aceitei viver a máscara macabra e falsa da humanidade.Meu dedão está fincado no chão, acho que tentando agarrar o pouco de juventude que existe em corpo meu. Dedão dói a dor da velhice! Alma minha dói porque sou o que não sou. Hoje visitei a casa do lago, pisei em bosta de vaca, pisei em formigueiro, fui queimada por taturana, finquei pé no brejo. Hoje vivi a verdadeira vida para qual nasci.Mas passa logo meus momentos de real elisa. Eles duram tão pouco. Volto pra mundo de cimento, deito no conforto da rede e olho montanhas (em nosso país não há montanhas), olho a Pedra da Cruz. Queria ser pedra! Mas como ser pedra se esse maldito coração vive pulsando feito louco desenfreado? Queria ser pedra, mas essa alma minha vive cantando alienada a canção da existencia dos homens...o que é ser homem? O que é ser humano? Não consigo degustar a podre comida que me alimenta todos os dias...nasci pra ser vaca, nasci merda, nasci humana!

terça-feira, agosto 25, 2009

Zóio Gordo


Zóio Gordo me persegue. Gordo e pegajoso, carregado de substâncias moles e amareladas.
E eu olhando somente. Dentro de meu olhar busco visualizar a puresa do "zóião".
Olho de um lado, de outro, por fora, por dentro, tento entender porque aquele zóião me persegue. Mas como sou Noronha de sangue, nem percebo a malignidade do olhar.
E sigo sorrindo, sem saber se é do zóião ou de quem carrega ele.
O que sei, com certeza absoluta,é que aquele zóio deve tá míope, porque não possuo nada
que possa servir de desejo. Não tenho bunda, nem peito, nem dentes...

quinta-feira, maio 07, 2009

........................................

Faz 15 minutos que estou feito babaca sentada na frente dessa tela, com os indicadores apontados e sem dizerem nada. Ninguém merece isso. 
Acendo um papel e jogo fogo. Fogo alastra e arrepia. 
E dedos olham letras, parecem míopes analfabetos. 
Estão tarados, parados no desejo de silenciar, enquanto coração cansa de tanto respirar.Um cachorro chora, grito com voz de gato e tento atrai-lo. 
Cão se cala. Eita peste, nem ele dialoga comigo. E eu aqui cansada de monólogos ultrapassados, onde minha cabeça canta os cantos de seres mudos.
 Silêncio porreta!
 Olho os dedos parados frente meus olhos e descubro que nem sei de quem são. 
Um fantasma moribundo habita minha noite e eu nem ligo...

sábado, janeiro 03, 2009

Medida

Queria tempo em medidas
Sem fim, nem inicio
Só meios.
Nas esquinas perdidas
Queria embolar vida
Colorir corpo ,
Pelada
Alagada
Possuida
Me tornar negra,
Amarronzando curvas,
Lentamente,
Com a cor de seu desejo,
Nos beijos
Que se fizeram lua.
Sem tempo
Medida crua
De mulher
Perdida...

Cap III

Passou, assim como tudo passa. Mas ficou a dor e a descrença na capacidade do que somos.
Em minha vida existe uma valéria que mata, embora não seja flora.Uma valéria que acredita somente em sapatos de saltos altos e roupas de brilho. E eu ando de sapato velho e chinelo arrastado, de calças surradas... e já nasci sem brilho.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Cap II

Nessa luta entre ser ou não ser, me vi envolvida com afazeres de extrema burocracia. Tudo trazia envolvimento com papéis, assinaturas, carimbos, datas, normas, etc, etc, etc. Eta burocracia danada, tirava meu tempo das coisas que eu sentia serem importantes para o crescimento dos envolvidos em minha nova estação. Os olhares de medo, revolta, submissão, drogas, prostituição, estavam ali, bem à minha frente, mas eu tinha, era obrigada a correr com papéis, papéis, papéis, assinaturas, assinaturas, carimbos, carimbos...ninguém aguenta!!!!!

terça-feira, setembro 02, 2008

Existe um dia...

Cap 1 - Existe um dia na vida da vida de todo mundo. Não poderia ser diferente comigo, uma mineira qualquer, mais feia que briga de foice no escuro,nascida numa cidadezinha encantada, coberta de montanhas e rodeada de ipês amarelos, que tem como sonho viver o suficiente para usufruir do mundo no dia em que todos entenderem que o respeito, o carinho, o amor e a afetividade são caminhos pelos quais passamos, mas passamos de maneira verdadeira, forte, vivente, carregada de sentidos. Um dia, lá para traz no tempo , um professor me disse:”mineira, o mundo não ta preparado ainda pra você, vai com calma ”, eu matutava sobre aquela frase, e achava meu professor meio doido, meio que louco, meio alienado de tudo. Acabei esquecendo as falas de meu mestre e segui os trilhos que a vida me ofereceu. Até que um dia o maquinista desviou meu rumo e me mandou descer em nova estação. Uma estação cercada de verde, em uma pedra cortada em forma de cruz, com sabiás que cantavam no amanhecer do dia. Uma estação com gente de olhar cabisbaixo , pedindo por socorro. Nessa estação eu desci, olhei bem, com esse meu olhar meio torto e míope, pedi proteção ao mundo, respirei fundo e aceitei o desafio de navegar numa estação desconhecida, com trilhas ainda não desbravadas, cheias de atalhos desconhecidos...Assim dei meu primeiro passo, meu primeiro pisar na nova estação.

quinta-feira, julho 24, 2008

cem poesias

Sentada, quase de cara no teclado, tento entender essa noite...nem sei se é diferente ou igual a tantas que ja vivi, mas não to preocupada com isso, to é enjaulada de vontade escrever e quando bate essa vontade, sai de perto mundo, não me preocupo com nada. Nem com o que meus dedos escolhem, dou a eles a liberdade total, assim como sempre dei a minha alma e meu coração (e eles se fuderam por isso). E eles (dedos)batem demais, não querem parar nunca! Credo, devem ser loucos! Loucos! O que seria a loucura? (que mania meu cérebro tem de interromper os dedos). Ah, a loucura é a coisa mais maravilhosa, mais deliciosa, mais empolgante que podemos viver. Afinal todo louco é louco, e ninguém liga pro que ele diz(adoro quando ninguém liga pro que eu digo, falo, escrevo, canto, penso, rumino, vomito)...então, sô louca, ou será que desejo a loucura, acima de tudo que vivo? Não sei! Puta que pariu (quem?) quando eu pegar o vagão solitário da morte, meu teclado cantará sozinho e fará cem poesias de minha partida...(preciso de um hospício, logo, logo!)

segunda-feira, junho 16, 2008

De tanto ouvir sobre LINGUAS

“Só existe língua se houver ser humano que a fale”. Realmente.
Mas sabe que confabulando com meus botões, devo dizer que a língua faz parte do ser humano naturalmente. Ele nasce possuído do poder que ela demonstra sobre ele. Afinal, nada melhor que uma língua.... Já pensou na não existência da língua? Não? Pois pense. Com certeza descobrirá o quanto o mundo ficaria intragável sem ela. Imagine um beijo sem língua....Seria muito chato, muito morno, muito banal. Imagine a não existência de salivas se encontrando, gerando aquela fenomenal sensação de gostosura, de tesão. Como náufragos as línguas se encontram, se tocam, se desejam e enlouquecem, Crescem, dominam, transformam momento. Se agigantam. No encontro de línguas, nada melhor que o silêncio. As mãos falam nessa hora. E como falam! E sem a necessidade do olhar, as mãos seguem percorrendo caminhos inimagináveis. E as línguas, ousadas, se esquecem das diferenças. Se esquecem de toda e qualquer diferença existencial. Não existe dominante, nem dominado. Somente desejos...Mas (meus botões sussurrando) nesse tocar de línguas, até que o domínio é positivo, é empolgante, é sensacional. Sabe aquela mordida vagarosa, que de repente, torna-se dominadora, fenomenal? Huuummm...nada melhor que o domínio “lingüístico”..sentimos nossa língua presa, enjaulada entre dentes, mascada, mordida, quase que apunhalada. E nascemos pro gozo sublime da entrega total. E, não fora nossa língua presa, gritaríamos pro mundo: Foda-se diferenças lingüísticas! Nada melhor que um tesão!!!!

Elisa di Minas

segunda-feira, agosto 27, 2007

Merdas

Evacuo as merdas
expostas em vasos
sanitariados e confusos.
Defecando
sigo no compasso absurdo
dos surdos de minha era.
Apago as cores
da aquarela do mundo
e acinzentando as idas
volto às estradas vencidas.
Merdas!
Estaciono tempo,
destruo construções,
desfaço feitos
e amordaço gritos
aprisionando a liberdade
descontida
nos traços
humanos
das desumanas vidas.
Merdas...

sábado, agosto 18, 2007

Ventania

Mar amarelo
De lágrimas.
Arcado ao vento
Ele tentava recolher suas vestes.
Dedos meus tocaram tronco
Na tentativa do consolo
Que busca aquecer
A falta do agasalho
Que pinta céu
E encanta olhar dos homens.
Doeu
Quando vento levou as saias
Do ipê de meu quintal.

sábado, julho 28, 2007

grito

hoje encerro meu ser poeta
nada mais será revelado
nada mais será murmurado
nem um lamento será derramado
nem um suspiro será questionado.

hoje mato a morte
enterro meu corpo esculpido,
despido e apedrejado
quebrado
inexistido.

hoje serei ontem
e no amanhã do passado
olharei meu vazio
e procurarei minha face...

segunda-feira, julho 16, 2007

Chega
parte
fica
vai
sai
entra
sobe
desce
cai
levanta
molha
seca
bate
acaricia
ama
odeia
tô cansada!

Quero

Quero escrever bem pequeno pra combinar com o que sou...não gosto de vestir fantasia...quero meu jeans surrado, meu chinelo rasgado, meu camisetão velho, meu cabelo espatifado, minha calcinha furada, meu pijama queimado...quero voltar a olhar minhas montanhas, tomar banho na chuva, agarrar a lua e escrever todas as besteiras que me vem à cabeça...quero lambuzar mão de manga, engordurar de torresmo, embebedar de vinho, esticar na poltrona e não pensar em nada!!!!

Desejo pisar barro e espetar dedão na pedra, falar palavrão e não me preocupar com nada...por que vida teima em querer mudar meu eu????

segunda-feira, junho 04, 2007

VASTO MUNDO


Embora não seja Raimundo
E nem me chame Drumonnd
Perfuro os furos do mundo
Estonteantes manhãs.
Com meu olhar meio vesgo
Pincelado de anarquia
Eu visto a fantasia
Me cubro de nostalgia
Nas paredes que são vãs.
E lá colada, perpétua,
A sina de quem é só.
Quero virar Raimundo
Florbela
(que não espanca)
Cecília, Adélia ou Maria
Só não quero essa Elisa
Que pinta clarão de lua
Que molha pés em regato
Que
beija montanha crua
Que se veste tão despida
E se descobre na lida
De quem nasceu pra ser só...

EU

Sou corpo despedaçado
Livre e descarado
De língua solta, resquício
Daquilo que foi um vício
Nas curvas
Que o tempo encerra.
Sou mulher,
Louca, perdida
Nas brigas
Trago da vida
As marcas que não ganhei.
Perdi lutas
Matei vitórias
Deixei montanhas e glórias
Nos caminhos que trilhei.
Sou feia, sou deformada
Vesga, míope, aleijada.
Na alma que eu ganhei,
Nasci em dia de noite
Escondida entre açoites
Abandonada, jogada
Lata de lixo, fechada
Sem dentes, cara chorada
Do colo que não usei.
E hoje carrego em peito
As
marcas que são deixadas
Pelos pés
Que um dia amei...

domingo, maio 20, 2007

Lindo, de PATRICK REIS

"Eu pintei meu cabelo. Eu coloquei óculos escuros. Eu tentei mudar minha vida, mas eu não consegui, será que o problema na MINHA vida sou EU?
O tempo passou e a minha vida parou, mas só agora eu notei que ela tinha parado faz tempo!!!
Eu já fui superficial, mas todos sabiam o que eu pensava.
Eu já fui artificial, mas ninguém me decifrava no meu mundo particular.
Eu já fui natural, mas não era meu estilo.
Eu nunca fui normal, porque o normal me incomoda!!!!!!!!
Eu achei que eu caminhava sozinho, mas muitos estavam comigo. Eu tinha tudo, mas não tinha nada. Quando eu resolvi ter pouco eu consegui ter tudo!
Dizem que o perfeito não existe, mas pra mim minha família é perfeita, meus amigos são perfeitos, eu posso achar defeitos neles, mas os outros não. Eu amo muito essas pessoas que me fazem tão bem!"

Patrick foi aluno meu, me ensinou muitas receitas de vida, me ensinou atalhos de viver, me mostrou cores novas pra pintar mundo. Grande Patrick, sou fãzona dele.

domingo, maio 13, 2007

E lisa

Uma pedra
Parada
Vertente
Ardente
Estagnada de nãos

Um olhar
Perdido
Vazio
Caido
Carregado de nãos

Uma vida
Parida
Corrida
Sentida

Pequena
E solitária
Pedra
Imunda
E lisa...

Luar

Em quatro paredes
Verdes
Escuto vozes
E no macabro silêncio
Aceno
Desespero.

Luar, parta
Esconda sua vaga
Estreita
Peito meu
E morra!

sexta-feira, abril 20, 2007

Imensidão...desejos. Não sei se observo ou vôo.

domingo, abril 08, 2007

Sentimento meu em alma

Recebi de Alma:

"Aqui nesse pedaço da Mantiqueira
uns soluços tombam na terra
é forte o cheiro da vida úmida
estremece um todo qualquer calado em mim
uns trejeitos de uma loucura que nunca vivi
mas reconheço nos olhos que já mais vi
apenas pressinto assim estranhamente
destituida de minha humanidade
vago ainda por este canto
uns tons escuros de noite clara
estrelas dançam das muitas que sou
e no caos do mundo renascem
sejam elaines sejam duardos sejam quaisquer os nomes que tiverem
todas são pedaços de um fragmento maior
este do qual a mulher montanha se desprendeu
desgarrou em loucura cósmica
e ela nossa mãe
sabe da estrela que multiplica estrela
essa que causa angustia
essa que traz força em nosso olhar
que cativa e assusta
que aproxima e afasta
no cheiro de terra úmida de sei."
(Letícia Paula)

sexta-feira, abril 06, 2007

Aqui...

28/09/06

Encontro mutações
e distante
dos amigos
não-falantes,
grito sussurros
que não ouvi.
Pari meus medos
enfrentando
o que sofri.
Sorri
e na esquina
do seu tempo
Olhando seu aceno
Parti...

Noite

Noite. Estrela brinca de trem e apita passado. Sinto cheiro de terra molhada e terreiro de café. Sinto toque de Pescador de mãos calejadas e olhar da cor do céu em noite de paz. Ouço passos arrastados de chinelo velho em corpo de avó. Ouço cachoeira cantando a musicalidade do mundo, dançando nas esteiras escorregadias das pedras esverdeadas de tempo. Aguço olhar e vejo as amarelinhas pulantes sob meus pés, os bambolês deslizando firmemente em cintura fina, as pedrinhas batendo em céu, as pernas-de-pau agigantando meu viver, as pipas jogadas ao vento, os piões, as comidinhas em fogão de barro gritando hora de almoçar.

Noite. Estrela brinca de frio e cutuca lembranças. Estremeço coração e aconchego voz que ecoa gritos de prazer nas mangas arrancadas dos pés, amareladas e revestidas de mel. Árvores engalhadas, entortando sob peso de corpo meu, se revestem das gargalhadas deixadas no passado. Tucanos e sabiás, ipês e quaresmeiras, montanhas e vales, menina e mulher...

Noite. Em mar e montanha me divido, em passado e presente, em idas e vindas, em silêncios e gritos, em risos e lágrimas. Noite. No peito a saudade de um passado que ainda não vivi.

sábado, março 31, 2007

Paridas

Pari os doces enlevos
Que vida me levou
E na ressonância da brisa
Ouvi os gritos
Que ecoavam de peito meu.
Gritos silenciados
Dos abandonos que travei,
Das dores que chorei,
Dos tombos que tombei,
Do cálido nascer
Dos fins
Dos amores
Que encontrei...

E despedaçada em meus eus
Arregaço boca
Arreganho alma
E expulso
O que há em mim
Do eu
Que me faz
Sofrer ...

Não quero mais os eus
Que possuem meu eu
E alargam as noites,
Que silenciadas
De presença
Me fazem morrer...


(Elisa di Minas, ouvindo sussurrar de montanhas)

domingo, março 25, 2007

Noturna

Tô aqui, parecendo vaca em trabalho de parto, desvairada, soltando baforadas de narinas abertas. Tô aqui ventando mais que final de tarde de verão, mais que bater asas de borboleta. Sei que estou aqui, mas não estou...pensamento voa pelos córregos de minha terra, necessitado do silêncio do canto das águas, necessitado do barro pisado, necessitado do frio que aquece noites minhas. Tento prender pensamento, mas ele é livre, rebelde, traiçoeiro-aventureiro no corpo que carrego. Tô aqui, mas a invisibilidade das vozes sussurrantes se impregnaram, misturam cérebro meu e me consomem. Saio à janela, necessito olhar montanhas, mas elas não se ascenderam...será que brigaram com lua? Olho o céu, à leste uma luz caminha apressada, sorrindo pra mim. Tento apagar embaçado que meu olhar sempre encontra, aperto olhos, aperto...mas luz dá adeus e segue infinito, sorrindo de mim...

quarta-feira, março 21, 2007

Colou

Colou uma dor aqui no peito.
Sentidos, sentimentos
Vertentes das marés
Gritantes.
Calou uma voz aqui na alma
Triste destino
De homens tristes.
Nasceu pensamento aqui dentro
Forte, pulsante.
Nasceu consciência
De morte, de
Um A, sem M
Um M sem O
Um O sem R
Derrubaram as letras
Que Mundo precisa...

Minhas montanhas

Estão morrendo...


sábado, março 17, 2007

chocolate

Comendo chocolate arranho o céu de minha boca e destilo gostosura de mundo. Ê trem bão comer chocolate se lambuzando de calorias. Vou inchando, inchando, inchando, parecendo vaca prenha. Engordando mais que cueca de político e gozando mais que transa em lua de mel. Afinal não é todo mundo que pode usufruir de um belo chocolate ao leite, derretendo goela abaixo, enchendo estômago de ceratonina. UAU! Gorda! Gorda! Gorda! Tô nem aí se pele vai se elasticiando, espichando, enchendo, inchando. Tô nem aí se vô ficá gostosona, de carne boa pra pegar! Não mesmo! Não quero cachorro em vida minha... cachorro que gosta de osso! Quero mais é que esse corpo que a terra NÃO há de comer se lambuze nesse momento fanático e fantástico de tesão. Quero mais é que sociedade de mulheres tábuas se lixem! Pneus? E eu com isso? Não sô carro pra ficar preocupada com pneus elegantes, firmes, fortes, bem modelados, seguros, resistentes, permanentes...nem esquento moradia de piolho! Quero nem saber que roupa vou usar amanhã se elas não me servirem mais...saio feliz pra rua, sugando estômago, com passos desajeitados pela falta de movimento de corpo prensado...levarei São Paulo dentro de Brasópolis cantando mais que cigarra em manhã de sol. EITA EU! Sô livre pra carregar minhas banhas e chacoalhar barriga molenga, estufada, lindamente definida. Sô livre pra caminhar rasgando calça e deixando à mostra um bundão rechonchudo, chamativo...requebrando como só eu sei. Mulheres me olharão com ar de zombaria e eu gritarei: FODA-SE! Tão com fome? Tão infelizes? Não comem chocolate! Não comem chocolate! Não comem chocolate!

quarta-feira, março 14, 2007

PUTZ!

Hoje carrego desejo de andar de pé no chão,
ralando sola de couro duro,
envelhecido e doído.
Trago na alma um suplicio,
um desejo, uma ânsia constante
de ser natureza, água, terra, ar, montanha.
Olho os lados de caminho
buscando céu amarelado das flores dos ipês.
Respiro a sensação de mundo
e tento não pensar em viver.
Tento estancar ânsia de silêncio,
pareço tão cansada!
Corro o tempo de menina e fecho olhar.
Minh`alma busca Pescador
de mãos calejadas e olhar doce.
Onde estão as enxurradas por onde eu andava?

domingo, março 11, 2007

Hoje vesti nariz vermelho e enfrentei calor, fila e seleção. Acomodei bunda no degrau e silenciei meio século, só no observar. Saltos finos, grossos, rasteirinhas, sapatões, tênis, apertavam o desejo de vencer. Olhei meus dedos que seguravam uma havaiana velha abaixo de jeans surrado...acho que só pra contrariar. Um protesto mudo, numa sociedade calada.
Vacas de presépio, aceitação incondicional. Abraços trocados, risos, ansiedades. Uma fumaça solta em local proibido, só pra rebelar. Olhar não encontrou lugar pra guimba e dedos amarelados apertaram fumo e se queimaram, só pra sentir que vivia. Observando passantes me dirigi pra matadouro 12 e me coloquei a disposição do carrasco. Abaixei cabeça e aceitei minha condição de verme...no peito um grito estacado, um suplicio indesejado, uma seleção mórbida, em país de palhaços!
No palco da seleção assassinei neurônios e vomitei o fel da aceitação.
Queria Presidente sendo selecionado, queria governadores, senadores, deputados, vereadores, prefeitos na fila de matadouro...queria...mas calei voz e olhar e num país de palhaços vesti minha máscara e dei cara pra apanhar...
Assim vivi dia de hoje, num silêncio macabro...de chinelo rasgado e cabeça vazia...assim mugi e ruminei minha condição de vaca-palhaça...e mais uma vez aceitei passar pelo mata-burro sem chegar a nenhum lugar!

sábado, março 10, 2007

(foto Elisa di Minas)
Na simplicidade da imagem jogada em nosso olhar...
simplifico viver
e penduro no varal do tempo as alegrias sentidas,
as dores superadas,
as lutas travadas.
E ouço a canção serena,
longínqua,
permanente,
inconsciente,
que despetala o espaço
na busca da sobrevivência
esquecendo que
montanha grita o silêncio da morte
e mundo chora destruição.

sexta-feira, março 09, 2007

Espera...















(Foto Elisa di Minas)

Olhar busca passado e se perde em presente.
Solidão em gestos e olhar espera
que vida traga de volta a vida que se perdeu...

sábado, fevereiro 24, 2007

(Foto Marcos Noronha)
Vômito vermelho inunda mundo, luzes e cores se misturam à sangria humana.
as ruas passam
jogam resíduos
de gente
céu se alarga
derruba lágrima
e mata
cão fareja
olha acoitado
e parte
descrente
olhar se turva
embaça medo
foge
nas dores
pendentes
mundo se aperta
estrangula
alma demente
e a gente?
segue
cego
inconsciente...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Morte de você

Nas pontas de meus dedos
Nasce uma dor
Assim acomodada
Desequilibrada

Descolorida
Parida da sombra
Da ausência
De seu olhar.

Na palma da minha mão
Nasce uma morte
Assim tão descontida
Na chegada
Da partida
De seu ficar.

Nos braços de meu corpo
Nasce um desejo
Assim descompassado
Marcado
Maltratado
Na existência da vontade
De lhe abraçar.

Na boca da minha face
Nasce um silencio
Assim amargurado
Despojado
Costurado
Na certeza
Da falta
De seu beijar.

Nos olhos de minha alma
Nasce uma lagrima
Assim amarrotada
Molhada
Quebrada
Colada
Embrulhada
Na crueldade
Da realidade
Da vida que vou levar...

domingo, fevereiro 18, 2007

sósósósósósósósósósósósósósósó
sem saber como acabar
como acabei...

HOJE

dia de ser amanhã
invadir sentidos
e navegar
navegar
navegar
os mares desconhecidos.

sábado, fevereiro 17, 2007

Quem sabe

Alegria de carnaval
me traz um novo amanhecer.
Quem sabe...

Nos nós carnavalescos

Homens esquecem dores

E numa ânsia de felicidade

Destripam os estribos

Que governam a vida

E vão

Malandros

Mágicos

Bailarinos

Piratas

Ciganos

Fantasmas

De malas e maletas

Carregando frustrações...

terça-feira, fevereiro 06, 2007

pensamente

Olhando pela janela busco clarão de lua, que se apaga sem que meu olhar alcance. Olho escuridão de tempo e penetro entranhas na sensação convulsiva de que me separo de meu eu e busco outra que habita em mim.Não consigo acalmar meu espectro que cambaleia pelo tempo mumificando a escória de vida que levo. Vida de perdas paridas nas entranhas fétidas, desconcertantes e desgovernadas. Desequilibro pulsar e corto a pele, sangrando num prazer mórbido de quem sabe que viver é morrer. Alucinando meu peito piso as ilusões que se apodreceram no caminho e sorrio ao vê-las gritarem descontroladas e chorantes. Furo olhar com o agudo veneno que me come, consome, distorce, alucina, envolve e foge, deixando no peitoril uma mulher sem sexo, sem rumo, sem nexo...

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Momento

Um tempo tão curto, um escuro tão molhado e uma mulher carregada de sentidos que de tanto sentir parecem começar a morrer...

E di Minas

Cansada...

Elisa Cansada

Cansada de mim
Entorto as pregas
Desço morros
Balbucio
Caduco
Cutuco dedão do pé
Retiro pregos
Martelos
Lembranças
Que doem
E cansam beleza
Que elisa nem tem...

Elisa di Minas

quinta-feira, janeiro 18, 2007

?????????????

QUE DIA SERÁ QUE AMANHEÇO????????

sexta-feira, janeiro 05, 2007

...

Junto à estrela
Rasgo santidade
E me faço puta.
Arreganho pernas,
Estupro homens
Tatuando entranhas,
Sangrando pele
Na violência convulsiva
Do amor
Que trago escondido
Nos poros
Dos pêlos do mar
Que navego...

Elisa di Minas

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Quase

Quase que morre um poeta...
Meus sapatos foram queimados
destituidos de prazer
Nem sei se é porque o canto
do vento, do tempo,
me cansa a vontade de viver.
Poeta joga com vida,
mas poesia
está no sapato que arrasta
Queimado,
inundado de falta de prazer.

Melhor é morrer
Mesmo
QUE SACO!!!

quinta-feira, julho 20, 2006

HOJE

Olhar meu
busca estrelas
escondidas nas luzes
de montanhas
de cimento.
Arrebento peito
abocanho tempo
e me entrego.
Não mais existe
canto de corujas
Só buzinas e gritos.
Adormeço
Minh'alma...

quarta-feira, julho 19, 2006

Destitulada

Sentir que se desloca
Foge, desencontra,perde-se
Não sou
Estou
Sinto-me centro
Girar de tempo
Em volta de mim
Sou roda tonta
Sentidos contrários
Estou
Sou infinito de vozes
Silêncios
Loucuras obscuras
Objeto,feto,sensações
Sou finitude
Explosões
Canções, versos, emoções
Deslocamento
Canto,
Encosto
Interrogações...

Elisa di Minas em tarde paulista
ao som de buzinas e alegrias

terça-feira, janeiro 10, 2006

Céu Sereno


(foto Marcos Noronha)

CÉU SERENO

Sereno céu
De estrelas
Derruba seu cantar
De promessas
Engaioladas,
Sentidas,
Molhadas
Das lágrimas
Que poeta ri.
Esquece os acenos
Serenos
Do oceano
Das marés
Que enferrujam
Olhar distante
E cantam
Os murmúrios
Poéticos,
Estéticos,
Sem nexos,
Guardados
No desequilíbrio
Do norte
Do viver.
Encobre os corpos
Despidos,
Cuspidos,
Esquecidos
Na curva do tempo.
Destino inquieto,
Fétido, mórbido,
Carente
Dos sonhos
Morridos, perdidos,
Alagados
Deixados na estação...

Elisa di Minas

domingo, janeiro 08, 2006


(foto Marcos Noronha)
Ergui asas e exalei perfumes que habitavam em mim...Bebi chuva, abocanhei estrelas e sorri.Universo entrelaçou dedos, apagou luz e acalantou os sonhos que vivia.Voei por planetas distantes,penetrei crateras.Inundei espaço e voei estrela azul-cativa.Assassinei os medos e mergulhei cachoeira de sentimentos.Esqueci viveres e morri, nascendo nas cores que existia ali...

Montanhas

Céu queima
Pinta montanhas
Sangue escorre
Pelo buraco negro
E derrama as dores
Que mundo não fala...

Olhar


(imagem cedida por Marcos Noronha)
Um olhar em universo
Macabro
Vaga em noites, dias
Distante de chão
Perambula lágrimas,
Perambula sorrisos.
Quando chora,
Inunda mundo
Provoca
Envia raios
Em montanhas minhas
Um olhar
Que vê
Os medos que trago
Escondidos,
Os sonhos que sonho
Nas trilhas
Que não percorro...

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Hoje...

Chuva intensa molhando chão e escorrendo pelos vãos de mundo. Não mais surge bola de fogo em montanha, clareando flores e aquecendo ninhos. Mundo chora! Lágrimas frias e pesadas, que matam, trucidam, entortam e eliminam viveres. Pobreza humana morre molhada, abandonada...Vi face de criança morta, disforme em olhar vago.Vi corpos soterrados, angústias...Vi perda de sonhos e esperanças...
Chuva desce, cega ao sofrimento, enche valas e ruas e vargens. É natureza gritando as desigualdades. Mansões, barracos, fome, fartura...ternos, maltrapilhos...olhares vagos, olhares indiferentes...desespero! Dor nascendo em corpos, descrença, perda...
E eu aqui, parada em trilhos, com peito partindo...querendo arregaçar mangas e arrancar corpos, querendo alimentar bocas, querendo esperança em olhar de criança, querendo alegrias em vidas, querendo...querendo...parada em trilhos, não desço nas estações...ergo braços e aceno...Revolta!
Tronco se curva, chão molha salgado e parto...nos braços, criança morta!

quinta-feira, dezembro 01, 2005


Alma inquieta...preciso de ipê amarelo pra acalmar tempestade. Não vivo calmarias.Mundo se diverte em jogo de esconde-esconde, me foge, não mais o encontro. A lua dorme, o cheiro de terra molhada se mistura ao batuque da chuva. Quero lavar coração e retirar dor existida...nem montanha azul, nem chuva , nem lua me aquietam...abraço flores de ipê e peço colo.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Hoje acordei com gosto de pão de queijo, faminta de mineirice. Entornei café "Brasópis", engoli quase que nem leite fresco. Desceu coçando! Arregacei calça e fui molhar terreiro. Enfiei pé em cimento e deslizei. Pulei igual cabra no cio, derrapei. Caí...molhei assento de corpo que doeu dor de dia que é noite. Gargalhei tombo, assim como gargalho piada boa, contada por caboclo. Persisti, mineira é dura na queda! Agarrei transporte de bruxa, afirmei pé e segui. Agora mais experiente de vida escorregante...cantano caetano eu segui...enganei, assim que nem engano conhecer coração de homem.Num ritmo sonhador voz que imita caetano desafinou...caiu. Dessa vez a dor maior que dia que é noite foi pitica. Escorregar, mesmo experiente, doeu, doeu sentido de alma , cabeça oca bateu em terreiro. Mineira, tonta sem vinho,não riu, não sorriu nem gargalhou. Chorou a dor cheia em oco vazio...

quinta-feira, outubro 20, 2005

Desaba(fando) em céu de Minas...



Expiro meus dias
Em noites,tocando luas
Não resido mundo
Escondo
Meus escombros
Em lixo “elitado”
Caminho chão
De sandálias velhas
Toco terra
Misturo-me à ela.
Nada revelo
Invisível, percorro as trilhas
Que tento evitar.
Envergonho meu eu
Em desejo guardado
Vontade caminhar nua
Despida de sociedade...
Abraço tronco
De árvore centenária
Quero ser (ela).
Contorno montanhas
De terras de Minas
Os dedos caminham
Em seios (dela).
Olhos se cansam
De cimento e guerra
Excomungo T(gu)erra!!!!
Grito viver
De vontade ser
Bicho, irracional,
Mortal , livre!!!
Arranco órgãos
Que queimam meu peito
Me esvazio de meu eu
E ,liberta, caminho
Buscando momento
Existente
Entre ser-e-não-ser.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Buscando calmaria...



Universo
Pés caminham sobre anéis
Percorrem curvas
Como se fosse corpo seu.
Luz aquece frio de alma
E silêncio
Sussurra
Viver solitário...

quarta-feira, setembro 28, 2005

"Tronco sobre tronco" _ Foto Elisa di Minas


Um tronco tombado sobre o tronco chamou atenção minha , quando caminhava por morros de cidade natal.



Um silêncio, que gritava, deixava no vácuo do momento a solidão marcada.
Não passei, permaneci em alma que apertava dedos e buscava,no olhar embaçado, uma vida pra recordar.

terça-feira, setembro 20, 2005

BASTA ! Foto organizada por Elisa di Minas.


Um basta a toda violência cometida, a toda fome do mundo, a todo sussurrar sem respostas, a toda solidâo humana. Não suporto mais o descaso da humanidade.
E nesse não suportar, um poema foi rabiscado...

MUNDO
Pelo não, pelo sim
Por tudo, enfim,
Pelo vento que brinca com o tempo
Pelo riacho que não corre mais
Pelas ondas sedentas de beijos
Pela chuva que cai
Pelo fim...
É o tudo e o nada que conta
É a dor que nos desaponta
A saudade , que livre, aponta
O passado que não volta mais.
Pelos filhos da sarjeta,
Pela arma que mata, nojenta
Pela covardia isenta
Pelo grito,
Pelo homem que cai.
Pela fome e pelo rancor
É o ódio que toma conta
É pela morte do amor.
É meu corpo, que faminto,
Pela fome de justiça
Já não pode suportar
Por tudo isso eu grito
Meu corpo explode aflito
Eu não quero viver mais...

domingo, setembro 18, 2005

Fotos cedidas por Marcos Noronha, tiradas do Observatório de Cidade Minha...

Aqui é onde busco meus devaneios, loucos devaneios em céu de Minas...
Um pequeno visualizar do que vivemos em Terras Mineiras...Êta céu "bunitu dimais"..

Supernova

Fico olhando, pasmada, as belezas de universo. Não me canso de babar nas cores existidas. Fantasticamente, elas se misturam e derrubam sobre mundo a poesia solitária que sente coração dos homens. Desejo meu de tocar estrelas é tão imenso que chega a doer. Uma dor gostosa, aconchegante e profunda. Sei que estrelas estão tão longe...sei que existirão na eternidade, são infinitas. E, sem poder tocá-las, toco mundo que habito. Toco terra de montanhas, toco verde de folhas, toco águas de rios. E vivo apaixonando meus dias com a beleza que vejo de minha janela, com os cantos de aves coloridas e com meu olhar que ultrapassa realidade...

sexta-feira, setembro 16, 2005



È na imensidão do universo que as cores se fundem em permanências...

quarta-feira, setembro 14, 2005


Azul que reflete mar das montanhas de cidade minha. Reflete os sonhos que trago na alma...reflete a infinita esperança de mundo de paz...

domingo, setembro 11, 2005

Os fogos do céu de Minas refletem o verde de suas montanhas e explodem em desejos de grãos de café, que perpetuam em cheiros jogados ao vento.
Descalça, percorro terreiro pisoteando grãos que se aquecem ao sol. Meu olhar reflete azul, onde pássaros revoam em cantoria de aventuras. A bica canta suave melodia , enquanto bem-te-vi dedilha notas musicais. Meu pai, carregando saca de café, se aproxima . E fala:
__Fia, dexa grão em paiz, que ele vai virá bebida do dia de amanhã. Corre, toca os ganso que tão bicando a horta de sua mãe.
Não me mexo e deixo que meu olhar acompanhe o velho homem, que caminha carregado pelo chão. E sorrio, porque velho homem é eterno em meu coração.

sábado, setembro 10, 2005

É noite

E eu caduco desejos.
Perco encantos
De coruja
Que grita fantasias
Em minha janela.
E, feia,
Me olho.
Não vejo
O que espelho me mostra
Me cego
Porque me nego...

quinta-feira, setembro 08, 2005

Não canto

Meus dias amanhecem cheirando montanhas.
Num passeio ecológico sigo de encontro à labuta.
Um cafezal se mostra à minha passagem.
Bananeiras erguem braços, num abraçar mundo.
E eu sigo
Olhando os ipês que pintam meus olhos de amarelo
E se curvam acompanhando vento.
Em Pedra da Cruz eu chego.
Misturado ao cheiro de café
Os gritos de meus alunos
Se confundem ao canto de canário
E vôos de tucanos.
Frondosa árvore acolhe sabiá.
Esqueço que trabalho me chama
Quero olhar montanhas e beber luz de mundo...

Mineirice

É na mineirice de viver que encontro forças em derrubar trilhas de mato cerrado em busca de matas. Uma mata que seja encantada em seus cantos, onde aqui e acolá adormecem tucanos e sabiás. Onde o choro gritado da siriema aconchega em alma minha e devolve lembranças de infância perdida. Bato e derrubo barro grudado entre dedos dos pés, latejado da ânsia em percorrer caminhos. No caminhar não trago marmita em embornal, elevo mãos e colho do fruto servido pela Mãe-Terra; me embriago de sobremesa de morangos silvestres, docemente amargados no matar sede. Respiro a vida que beleza me mostra, canto desafinando cachoeira e bebendo da relva onde me deito. Olho céu que enfeita teto meu e brilha o brilhar de contrastes entre mundo e eu. Recolho as estrelas que caem, encho meu bolso jeans e costuro viver com remendos de experiências, criando retalhos que carrego em dia de panha de café e derrubada de bananeira. Passo mão em chão, avermelhado pela sangria de ser mulher e usufruir do viver de fêmea que procria em si a semente do macho, jogada em noite de amor...