Tô aqui, parecendo vaca em trabalho de parto, desvairada, soltando baforadas de narinas abertas. Tô aqui ventando mais que final de tarde de verão, mais que bater asas de borboleta. Sei que estou aqui, mas não estou...pensamento voa pelos córregos de minha terra, necessitado do silêncio do canto das águas, necessitado do barro pisado, necessitado do frio que aquece noites minhas. Tento prender pensamento, mas ele é livre, rebelde, traiçoeiro-aventureiro no corpo que carrego. Tô aqui, mas a invisibilidade das vozes sussurrantes se impregnaram, misturam cérebro meu e me consomem. Saio à janela, necessito olhar montanhas, mas elas não se ascenderam...será que brigaram com lua? Olho o céu, à leste uma luz caminha apressada, sorrindo pra mim. Tento apagar embaçado que meu olhar sempre encontra, aperto olhos, aperto...mas luz dá adeus e segue infinito, sorrindo de mim...
Um espaço onde posso deixar correr sangue mineiro...onde posso falar carregada de caboclagem...Um espaço onde montanhas, cachoeiras ,chão de terra e gosto de café torrado irão se misturar às palavras
Elisa di Minas
domingo, março 25, 2007
quarta-feira, março 21, 2007
Colou
Colou uma dor aqui no peito.
Sentidos, sentimentos
Vertentes das marés
Gritantes.
Calou uma voz aqui na alma
Triste destino
De homens tristes.
Nasceu pensamento aqui dentro
Forte, pulsante.
Nasceu consciência
De morte, de
Um A, sem M
Um M sem O
Um O sem R
Derrubaram as letras
Que Mundo precisa...
Estão morrendo...
sábado, março 17, 2007
chocolate
Comendo chocolate arranho o céu de minha boca e destilo gostosura de mundo. Ê trem bão comer chocolate se lambuzando de calorias. Vou inchando, inchando, inchando, parecendo vaca prenha. Engordando mais que cueca de político e gozando mais que transa em lua de mel. Afinal não é todo mundo que pode usufruir de um belo chocolate ao leite, derretendo goela abaixo, enchendo estômago de ceratonina. UAU! Gorda! Gorda! Gorda! Tô nem aí se pele vai se elasticiando, espichando, enchendo, inchando. Tô nem aí se vô ficá gostosona, de carne boa pra pegar! Não mesmo! Não quero cachorro em vida minha... cachorro que gosta de osso! Quero mais é que esse corpo que a terra NÃO há de comer se lambuze nesse momento fanático e fantástico de tesão. Quero mais é que sociedade de mulheres tábuas se lixem! Pneus? E eu com isso? Não sô carro pra ficar preocupada com pneus elegantes, firmes, fortes, bem modelados, seguros, resistentes, permanentes...nem esquento moradia de piolho! Quero nem saber que roupa vou usar amanhã se elas não me servirem mais...saio feliz pra rua, sugando estômago, com passos desajeitados pela falta de movimento de corpo prensado...levarei São Paulo dentro de Brasópolis cantando mais que cigarra em manhã de sol. EITA EU! Sô livre pra carregar minhas banhas e chacoalhar barriga molenga, estufada, lindamente definida. Sô livre pra caminhar rasgando calça e deixando à mostra um bundão rechonchudo, chamativo...requebrando como só eu sei. Mulheres me olharão com ar de zombaria e eu gritarei: FODA-SE! Tão com fome? Tão infelizes? Não comem chocolate! Não comem chocolate! Não comem chocolate!
quarta-feira, março 14, 2007
PUTZ!
ralando sola de couro duro,
envelhecido e doído.
Trago na alma um suplicio,
um desejo, uma ânsia constante
de ser natureza, água, terra, ar, montanha.
Olho os lados de caminho
buscando céu amarelado das flores dos ipês.
Respiro a sensação de mundo
e tento não pensar em viver.
Tento estancar ânsia de silêncio,
pareço tão cansada!
Corro o tempo de menina e fecho olhar.
Minh`alma busca Pescador
de mãos calejadas e olhar doce.
Onde estão as enxurradas por onde eu andava?
domingo, março 11, 2007
Hoje vesti nariz vermelho e enfrentei calor, fila e seleção. Acomodei bunda no degrau e silenciei meio século, só no observar. Saltos finos, grossos, rasteirinhas, sapatões, tênis, apertavam o desejo de vencer. Olhei meus dedos que seguravam uma havaiana velha abaixo de jeans surrado...acho que só pra contrariar. Um protesto mudo, numa sociedade calada.
Vacas de presépio, aceitação incondicional. Abraços trocados, risos, ansiedades. Uma fumaça solta em local proibido, só pra rebelar. Olhar não encontrou lugar pra guimba e dedos amarelados apertaram fumo e se queimaram, só pra sentir que vivia. Observando passantes me dirigi pra matadouro 12 e me coloquei a disposição do carrasco. Abaixei cabeça e aceitei minha condição de verme...no peito um grito estacado, um suplicio indesejado, uma seleção mórbida, em país de palhaços!
No palco da seleção assassinei neurônios e vomitei o fel da aceitação.
Queria Presidente sendo selecionado, queria governadores, senadores, deputados, vereadores, prefeitos na fila de matadouro...queria...mas calei voz e olhar e num país de palhaços vesti minha máscara e dei cara pra apanhar...
Assim vivi dia de hoje, num silêncio macabro...de chinelo rasgado e cabeça vazia...assim mugi e ruminei minha condição de vaca-palhaça...e mais uma vez aceitei passar pelo mata-burro sem chegar a nenhum lugar!
sábado, março 10, 2007
(foto Elisa di Minas)Na simplicidade da imagem jogada em nosso olhar...
simplifico viver
e penduro no varal do tempo as alegrias sentidas,
as dores superadas,
as lutas travadas.
E ouço a canção serena,
longínqua,
permanente,
inconsciente,
que despetala o espaço
na busca da sobrevivência
esquecendo que
montanha grita o silêncio da morte
e mundo chora destruição.
sexta-feira, março 09, 2007
Espera...
sábado, fevereiro 24, 2007
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Morte de você
Nas pontas de meus dedos
Nasce uma dor
Assim acomodada
Desequilibrada
Descolorida
Parida da sombra
Da ausência
De seu olhar.
Nasce uma morte
Assim tão descontida
Na chegada
Da partida
De seu ficar.
Nasce um desejo
Assim descompassado
Marcado
Maltratado
Na existência da vontade
De lhe abraçar.
Nasce um silencio
Assim amargurado
Despojado
Costurado
Na certeza
Da falta
De seu beijar.
Nasce uma lagrima
Assim amarrotada
Molhada
Quebrada
Colada
Embrulhada
Na crueldade
Da realidade
Da vida que vou levar...
domingo, fevereiro 18, 2007
sábado, fevereiro 17, 2007
terça-feira, fevereiro 06, 2007
pensamente
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Momento
E di Minas
Cansada...
Cansada de mim
Entorto as pregas
Desço morros
Balbucio
Caduco
Cutuco dedão do pé
Retiro pregos
Martelos
Lembranças
Que doem
E cansam beleza
Que elisa nem tem...
Elisa di Minas
quinta-feira, janeiro 18, 2007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
...
Rasgo santidade
E me faço puta.
Arreganho pernas,
Estupro homens
Tatuando entranhas,
Sangrando pele
Na violência convulsiva
Do amor
Que trago escondido
Nos poros
Dos pêlos do mar
Que navego...
Elisa di Minas
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Quase
Meus sapatos foram queimados
destituidos de prazer
Nem sei se é porque o canto
do vento, do tempo,
me cansa a vontade de viver.
Poeta joga com vida,
mas poesia
está no sapato que arrasta
Queimado,
inundado de falta de prazer.
Melhor é morrer
Mesmo
QUE SACO!!!

