Um espaço onde posso deixar correr sangue mineiro...onde posso falar carregada de caboclagem...Um espaço onde montanhas, cachoeiras ,chão de terra e gosto de café torrado irão se misturar às palavras
Elisa di Minas
sábado, novembro 20, 2010
Nenhum caminho pisado
com passos que já marquei
Nenhuma fala repetida
Com vozes que já gritei
Nenhum elo refeito
dos nós que já cortei
Sem elos, sem vozes, sem nós
sem vida
nas mortes que já lutei.
Perca campo mulher
Perca o tudo!
Que me arreganhem maldita boca
E que hoje eu grite
Os silêncios que vomitei!
Cala-te boca!
Engula os vômitos
que putreficam
que matam
que amordaçam
que fedem
as narinas
das
curvas
nas quais passei...
terça-feira, setembro 14, 2010
Velharia
Pele descola de abraço e ja nem sinto tato que ficou.
Olhar cola cilios na efêmera esperança de sonhar.
Aonde estão as esperanças que passaram por minhas ruas?
Aonde estão os desejos de meus desejos?
Aonde me encontrar?
Minhas idades se misturam e me confundem
Amaldiçoadas!
Por que me abandonaram?
Por que se distanciam do que sou?
Por que viver hiberna
e não mais posso espiar por minha janela?
Por que me privaram do tudo?
Cinquentenária mulher
Centenária alma
Imbecil e demente
Escroto de gente
Jogado ao céu...
A quem me pertenço?
Não sou nem eu!
quinta-feira, setembro 09, 2010
Necessito gritar... plastificada mente!
mas necessito gritar!!!
Quero expor sexo descarado
e arrebentar amarras de olhos
dementes e superficiais.
Necessito mostrar gozo
que fere e machuca pele,
entediada de igualdades
e grandes escalas.
Quero o diferente, o imortal,
o feio, deformado e escroto aos olhares.
Chega de superficialidades,
de promessas, de descaramentos, de falsidades.
Basta!!!
Chega de tato e durabilidade.
Necessito de toques e sensibilidades,
de lambidas ferinas em feridas expostas,
pra machucar.
Excomungo aquele que diz verdades
e estende dedo ereto.
Excomungo aquele q segue míope
sem desviar caminhos.
Odeio homens estagnados
pintados de máscaras meigas e irreais.
Odeio o ódio escondido
em amores superficiais.
Arrancaram-me a garganta,
mas necessito gritar!
Elisa di Minas
domingo, fevereiro 21, 2010
Augusto Cury
terça-feira, agosto 25, 2009
Zóio Gordo
Zóio Gordo me persegue. Gordo e pegajoso, carregado de substâncias moles e amareladas.
E eu olhando somente. Dentro de meu olhar busco visualizar a puresa do "zóião".
Olho de um lado, de outro, por fora, por dentro, tento entender porque aquele zóião me persegue. Mas como sou Noronha de sangue, nem percebo a malignidade do olhar.
E sigo sorrindo, sem saber se é do zóião ou de quem carrega ele.
O que sei, com certeza absoluta,é que aquele zóio deve tá míope, porque não possuo nada
que possa servir de desejo. Não tenho bunda, nem peito, nem dentes...
quinta-feira, maio 07, 2009
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sábado, janeiro 03, 2009
Medida
Sem fim, nem inicio
Só meios.
Nas esquinas perdidas
Queria embolar vida
Colorir corpo ,
Pelada
Alagada
Possuida
Me tornar negra,
Amarronzando curvas,
Lentamente,
Com a cor de seu desejo,
Nos beijos
Que se fizeram lua.
Sem tempo
Medida crua
De mulher
Perdida...
Cap III
Em minha vida existe uma valéria que mata, embora não seja flora.Uma valéria que acredita somente em sapatos de saltos altos e roupas de brilho. E eu ando de sapato velho e chinelo arrastado, de calças surradas... e já nasci sem brilho.
segunda-feira, setembro 15, 2008
Cap II
terça-feira, setembro 02, 2008
Existe um dia...
quinta-feira, julho 24, 2008
cem poesias
segunda-feira, junho 16, 2008
De tanto ouvir sobre LINGUAS
Mas sabe que confabulando com meus botões, devo dizer que a língua faz parte do ser humano naturalmente. Ele nasce possuído do poder que ela demonstra sobre ele. Afinal, nada melhor que uma língua.... Já pensou na não existência da língua? Não? Pois pense. Com certeza descobrirá o quanto o mundo ficaria intragável sem ela. Imagine um beijo sem língua....Seria muito chato, muito morno, muito banal. Imagine a não existência de salivas se encontrando, gerando aquela fenomenal sensação de gostosura, de tesão. Como náufragos as línguas se encontram, se tocam, se desejam e enlouquecem, Crescem, dominam, transformam momento. Se agigantam. No encontro de línguas, nada melhor que o silêncio. As mãos falam nessa hora. E como falam! E sem a necessidade do olhar, as mãos seguem percorrendo caminhos inimagináveis. E as línguas, ousadas, se esquecem das diferenças. Se esquecem de toda e qualquer diferença existencial. Não existe dominante, nem dominado. Somente desejos...Mas (meus botões sussurrando) nesse tocar de línguas, até que o domínio é positivo, é empolgante, é sensacional. Sabe aquela mordida vagarosa, que de repente, torna-se dominadora, fenomenal? Huuummm...nada melhor que o domínio “lingüístico”..sentimos nossa língua presa, enjaulada entre dentes, mascada, mordida, quase que apunhalada. E nascemos pro gozo sublime da entrega total. E, não fora nossa língua presa, gritaríamos pro mundo: Foda-se diferenças lingüísticas! Nada melhor que um tesão!!!!
Elisa di Minas
segunda-feira, agosto 27, 2007
Merdas
expostas em vasos
sanitariados e confusos.
Defecando
sigo no compasso absurdo
dos surdos de minha era.
Apago as cores
da aquarela do mundo
e acinzentando as idas
volto às estradas vencidas.
Merdas!
Estaciono tempo,
destruo construções,
desfaço feitos
e amordaço gritos
aprisionando a liberdade
descontida
nos traços
humanos
das desumanas vidas.
Merdas...
sábado, agosto 18, 2007
sábado, julho 28, 2007
grito
nada mais será revelado
nada mais será murmurado
nem um lamento será derramado
nem um suspiro será questionado.
hoje mato a morte
enterro meu corpo esculpido,
despido e apedrejado
quebrado
inexistido.
hoje serei ontem
e no amanhã do passado
olharei meu vazio
e procurarei minha face...
segunda-feira, julho 16, 2007
Quero
Quero escrever bem pequeno pra combinar com o que sou...não gosto de vestir fantasia...quero meu jeans surrado, meu chinelo rasgado, meu camisetão velho, meu cabelo espatifado, minha calcinha furada, meu pijama queimado...quero voltar a olhar minhas montanhas, tomar banho na chuva, agarrar a lua e escrever todas as besteiras que me vem à cabeça...quero lambuzar mão de manga, engordurar de torresmo, embebedar de vinho, esticar na poltrona e não pensar em nada!!!!
Desejo pisar barro e espetar dedão na pedra, falar palavrão e não me preocupar com nada...por que vida teima em querer mudar meu eu????
segunda-feira, junho 04, 2007
VASTO MUNDO
Embora não seja Raimundo
E nem me chame Drumonnd
Perfuro os furos do mundo
Estonteantes manhãs.
Com meu olhar meio vesgo
Pincelado de anarquia
Eu visto a fantasia
Me cubro de nostalgia
Nas paredes que são vãs.
E lá colada, perpétua,
A sina de quem é só.
Quero virar Raimundo
Florbela
(que não espanca)
Cecília, Adélia ou Maria
Só não quero essa Elisa
Que pinta clarão de lua
Que molha pés
Que
Que se veste tão despida
E se descobre na lida
De quem nasceu pra ser só...
EU
Livre e descarado
De língua solta, resquício
Daquilo que foi um vício
Nas curvas
Que o tempo encerra.
Sou mulher,
Louca, perdida
Nas brigas
Trago da vida
As marcas que não ganhei.
Perdi lutas
Matei vitórias
Deixei montanhas e glórias
Nos caminhos que trilhei.
Sou feia, sou deformada
Vesga, míope, aleijada.
Na alma que eu ganhei,
Nasci em dia de noite
Escondida entre açoites
Abandonada, jogada
Lata de lixo, fechada
Sem dentes, cara chorada
Do colo que não usei.
E hoje carrego
As
Pelos pés
Que um dia amei...
domingo, maio 20, 2007
Lindo, de PATRICK REIS
O tempo passou e a minha vida parou, mas só agora eu notei que ela tinha parado faz tempo!!!
Eu já fui superficial, mas todos sabiam o que eu pensava.
Eu já fui artificial, mas ninguém me decifrava no meu mundo particular.
Eu já fui natural, mas não era meu estilo.
Eu nunca fui normal, porque o normal me incomoda!!!!!!!!
Eu achei que eu caminhava sozinho, mas muitos estavam comigo. Eu tinha tudo, mas não tinha nada. Quando eu resolvi ter pouco eu consegui ter tudo!
Dizem que o perfeito não existe, mas pra mim minha família é perfeita, meus amigos são perfeitos, eu posso achar defeitos neles, mas os outros não. Eu amo muito essas pessoas que me fazem tão bem!"
Patrick foi aluno meu, me ensinou muitas receitas de vida, me ensinou atalhos de viver, me mostrou cores novas pra pintar mundo. Grande Patrick, sou fãzona dele.
