Um espaço onde posso deixar correr sangue mineiro...onde posso falar carregada de caboclagem...Um espaço onde montanhas, cachoeiras ,chão de terra e gosto de café torrado irão se misturar às palavras
Elisa di Minas
domingo, abril 08, 2007
Sentimento meu em alma
"Aqui nesse pedaço da Mantiqueira
uns soluços tombam na terra
é forte o cheiro da vida úmida
estremece um todo qualquer calado em mim
uns trejeitos de uma loucura que nunca vivi
mas reconheço nos olhos que já mais vi
apenas pressinto assim estranhamente
destituida de minha humanidade
vago ainda por este canto
uns tons escuros de noite clara
estrelas dançam das muitas que sou
e no caos do mundo renascem
sejam elaines sejam duardos sejam quaisquer os nomes que tiverem
todas são pedaços de um fragmento maior
este do qual a mulher montanha se desprendeu
desgarrou em loucura cósmica
e ela nossa mãe
sabe da estrela que multiplica estrela
essa que causa angustia
essa que traz força em nosso olhar
que cativa e assusta
que aproxima e afasta
no cheiro de terra úmida de sei."
(Letícia Paula)
sexta-feira, abril 06, 2007
Aqui...
Encontro mutações
e distante
dos amigos
não-falantes,
grito sussurros
que não ouvi.
Pari meus medos
enfrentando
o que sofri.
Sorri
e na esquina
do seu tempo
Olhando seu aceno
Parti...
Noite
Noite. Estrela brinca de trem e apita passado. Sinto cheiro de terra molhada e terreiro de café. Sinto toque de Pescador de mãos calejadas e olhar da cor do céu em noite de paz. Ouço passos arrastados de chinelo velho em corpo de avó. Ouço cachoeira cantando a musicalidade do mundo, dançando nas esteiras escorregadias das pedras esverdeadas de tempo. Aguço olhar e vejo as amarelinhas pulantes sob meus pés, os bambolês deslizando firmemente em cintura fina, as pedrinhas batendo em céu, as pernas-de-pau agigantando meu viver, as pipas jogadas ao vento, os piões, as comidinhas em fogão de barro gritando hora de almoçar.
Noite. Estrela brinca de frio e cutuca lembranças. Estremeço coração e aconchego voz que ecoa gritos de prazer nas mangas arrancadas dos pés, amareladas e revestidas de mel. Árvores engalhadas, entortando sob peso de corpo meu, se revestem das gargalhadas deixadas no passado. Tucanos e sabiás, ipês e quaresmeiras, montanhas e vales, menina e mulher...
Noite. Em mar e montanha me divido, em passado e presente, em idas e vindas, em silêncios e gritos, em risos e lágrimas. Noite. No peito a saudade de um passado que ainda não vivi.
sábado, março 31, 2007
Paridas
Pari os doces enlevos
Que vida me levou
E na ressonância da brisa
Ouvi os gritos
Que ecoavam de peito meu.
Gritos silenciados
Dos abandonos que travei,
Das dores que chorei,
Dos tombos que tombei,
Do cálido nascer
Dos fins
Dos amores
Que encontrei...
Arregaço boca
Arreganho alma
E expulso
O que há em mim
Do eu
Que me faz
Sofrer ...
Que possuem meu eu
E alargam as noites,
Que silenciadas
De presença
Me fazem morrer...
(Elisa di Minas, ouvindo sussurrar de montanhas)
domingo, março 25, 2007
Noturna
Tô aqui, parecendo vaca em trabalho de parto, desvairada, soltando baforadas de narinas abertas. Tô aqui ventando mais que final de tarde de verão, mais que bater asas de borboleta. Sei que estou aqui, mas não estou...pensamento voa pelos córregos de minha terra, necessitado do silêncio do canto das águas, necessitado do barro pisado, necessitado do frio que aquece noites minhas. Tento prender pensamento, mas ele é livre, rebelde, traiçoeiro-aventureiro no corpo que carrego. Tô aqui, mas a invisibilidade das vozes sussurrantes se impregnaram, misturam cérebro meu e me consomem. Saio à janela, necessito olhar montanhas, mas elas não se ascenderam...será que brigaram com lua? Olho o céu, à leste uma luz caminha apressada, sorrindo pra mim. Tento apagar embaçado que meu olhar sempre encontra, aperto olhos, aperto...mas luz dá adeus e segue infinito, sorrindo de mim...
quarta-feira, março 21, 2007
Colou
Colou uma dor aqui no peito.
Sentidos, sentimentos
Vertentes das marés
Gritantes.
Calou uma voz aqui na alma
Triste destino
De homens tristes.
Nasceu pensamento aqui dentro
Forte, pulsante.
Nasceu consciência
De morte, de
Um A, sem M
Um M sem O
Um O sem R
Derrubaram as letras
Que Mundo precisa...
Estão morrendo...
sábado, março 17, 2007
chocolate
Comendo chocolate arranho o céu de minha boca e destilo gostosura de mundo. Ê trem bão comer chocolate se lambuzando de calorias. Vou inchando, inchando, inchando, parecendo vaca prenha. Engordando mais que cueca de político e gozando mais que transa em lua de mel. Afinal não é todo mundo que pode usufruir de um belo chocolate ao leite, derretendo goela abaixo, enchendo estômago de ceratonina. UAU! Gorda! Gorda! Gorda! Tô nem aí se pele vai se elasticiando, espichando, enchendo, inchando. Tô nem aí se vô ficá gostosona, de carne boa pra pegar! Não mesmo! Não quero cachorro em vida minha... cachorro que gosta de osso! Quero mais é que esse corpo que a terra NÃO há de comer se lambuze nesse momento fanático e fantástico de tesão. Quero mais é que sociedade de mulheres tábuas se lixem! Pneus? E eu com isso? Não sô carro pra ficar preocupada com pneus elegantes, firmes, fortes, bem modelados, seguros, resistentes, permanentes...nem esquento moradia de piolho! Quero nem saber que roupa vou usar amanhã se elas não me servirem mais...saio feliz pra rua, sugando estômago, com passos desajeitados pela falta de movimento de corpo prensado...levarei São Paulo dentro de Brasópolis cantando mais que cigarra em manhã de sol. EITA EU! Sô livre pra carregar minhas banhas e chacoalhar barriga molenga, estufada, lindamente definida. Sô livre pra caminhar rasgando calça e deixando à mostra um bundão rechonchudo, chamativo...requebrando como só eu sei. Mulheres me olharão com ar de zombaria e eu gritarei: FODA-SE! Tão com fome? Tão infelizes? Não comem chocolate! Não comem chocolate! Não comem chocolate!
quarta-feira, março 14, 2007
PUTZ!
ralando sola de couro duro,
envelhecido e doído.
Trago na alma um suplicio,
um desejo, uma ânsia constante
de ser natureza, água, terra, ar, montanha.
Olho os lados de caminho
buscando céu amarelado das flores dos ipês.
Respiro a sensação de mundo
e tento não pensar em viver.
Tento estancar ânsia de silêncio,
pareço tão cansada!
Corro o tempo de menina e fecho olhar.
Minh`alma busca Pescador
de mãos calejadas e olhar doce.
Onde estão as enxurradas por onde eu andava?
domingo, março 11, 2007
Hoje vesti nariz vermelho e enfrentei calor, fila e seleção. Acomodei bunda no degrau e silenciei meio século, só no observar. Saltos finos, grossos, rasteirinhas, sapatões, tênis, apertavam o desejo de vencer. Olhei meus dedos que seguravam uma havaiana velha abaixo de jeans surrado...acho que só pra contrariar. Um protesto mudo, numa sociedade calada.
Vacas de presépio, aceitação incondicional. Abraços trocados, risos, ansiedades. Uma fumaça solta em local proibido, só pra rebelar. Olhar não encontrou lugar pra guimba e dedos amarelados apertaram fumo e se queimaram, só pra sentir que vivia. Observando passantes me dirigi pra matadouro 12 e me coloquei a disposição do carrasco. Abaixei cabeça e aceitei minha condição de verme...no peito um grito estacado, um suplicio indesejado, uma seleção mórbida, em país de palhaços!
No palco da seleção assassinei neurônios e vomitei o fel da aceitação.
Queria Presidente sendo selecionado, queria governadores, senadores, deputados, vereadores, prefeitos na fila de matadouro...queria...mas calei voz e olhar e num país de palhaços vesti minha máscara e dei cara pra apanhar...
Assim vivi dia de hoje, num silêncio macabro...de chinelo rasgado e cabeça vazia...assim mugi e ruminei minha condição de vaca-palhaça...e mais uma vez aceitei passar pelo mata-burro sem chegar a nenhum lugar!
sábado, março 10, 2007
(foto Elisa di Minas)Na simplicidade da imagem jogada em nosso olhar...
simplifico viver
e penduro no varal do tempo as alegrias sentidas,
as dores superadas,
as lutas travadas.
E ouço a canção serena,
longínqua,
permanente,
inconsciente,
que despetala o espaço
na busca da sobrevivência
esquecendo que
montanha grita o silêncio da morte
e mundo chora destruição.
sexta-feira, março 09, 2007
Espera...
sábado, fevereiro 24, 2007
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Morte de você
Nas pontas de meus dedos
Nasce uma dor
Assim acomodada
Desequilibrada
Descolorida
Parida da sombra
Da ausência
De seu olhar.
Nasce uma morte
Assim tão descontida
Na chegada
Da partida
De seu ficar.
Nasce um desejo
Assim descompassado
Marcado
Maltratado
Na existência da vontade
De lhe abraçar.
Nasce um silencio
Assim amargurado
Despojado
Costurado
Na certeza
Da falta
De seu beijar.
Nasce uma lagrima
Assim amarrotada
Molhada
Quebrada
Colada
Embrulhada
Na crueldade
Da realidade
Da vida que vou levar...
domingo, fevereiro 18, 2007
sábado, fevereiro 17, 2007
terça-feira, fevereiro 06, 2007
pensamente
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Momento
E di Minas

